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Charis
- O Correio da Graça
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A igreja que é o seu Corpo
Theodore Austin-Sparks
Se
o Senhor nos permitir, vamos meditar sobre o corpo de Cristo.
Quando desejamos ter uma maior revelação deste ‘mistério’,
instintivamente retornamos à epístola aos Efésios. Nesta carta
observamos primeiro, o fato preliminar de que a igreja é chamada «o
corpo de Cristo», é «a igreja que é o seu corpo». Isso distingue, nesta
carta, a igreja de outras designações que encontramos em outros lugares,
como o templo, a casa de Deus e outras, mas nesta carta é
particularmente o corpo de Cristo.
Agora, a palavra que parece predominar nesta carta com respeito a essa
designação é a palavra «juntos». É impressionante observar quão
frequentemente aparece essa palavra. Aqui nos diz: «sois juntamente»
nele. Isso não significa apenas que a nossa reunião foi individualmente
com o Senhor Jesus em sua ressurreição, mas também fomos postos
corporativamente nele; não só com ele, mas também postos nele
corporativamente.
A
eterna unidade do Corpo
Na
ressurreição do Senhor Jesus toda a igreja foi incluída juntamente. E
então no mesmo verso, 2:6, fomos «ressuscitados juntamente» com ele.
Além disso, no mesmo lugar, diz-se que nós fomos «assentados juntamente»
com ele. Voltando um pouco, em 1:10, fomos «reunidos em um» e então
outra vez em 2:21, «coordenados juntos». No verso 22 somos «juntamente
edificados». Esta palavra «juntos» nos traz para a visão, de uma maneira
muito simples, o fato da natureza corporativa da igreja, o corpo de
Cristo.
Desejamos captar a força completa disso tanto quanto for possível,
porque esta carta acentua o fato de que a igreja é um Corpo corporativo;
não que o será um dia quando o trabalho da graça terminar; nem que
esteja meramente na vontade e intenção de Deus; mas que é; isso,
apesar do que vemos hoje na terra; apesar do número cada vez maior de
divisões e divergências na comunhão do povo de Deus na terra; apesar de
tudo isso, a igreja segue sendo ainda um todo corporativo.
É
assim, não quanto às pessoas na terra, mas quanto à natureza essencial
da igreja, o corpo de Cristo. Nenhum divergência –que é fortuito nas
relações do povo cristão na terra– pode alterar esse fato. As diferenças
que existem em relação a diversas mentalidades, opções e preferências,
gostos e aversões, aceitações ou rejeições intelectuais – todas essas
diferenças não tocam o último fato de que há um âmbito no qual existe
uma totalidade, uma unicidade, uma corporatividade que não se vê afetada
por coisa alguma do homem em si mesmo, religiosa ou teologicamente.
É
obvio, existe um âmbito no qual pode haver uma brecha na comunhão, que
entra no reino do espírito e onde se afeta o espírito. Ali podemos
definitivamente desferir um golpe no corpo de Cristo, mas este corpo é
em última instância um; o qual, é obvio, indica claramente que este é
algo mais que uma coisa terrestre e que é um corpo divino, que não pode
ser afetado e tocado pela terra.
Nós estamos inclinados a aceitar o que vemos, a ser afetados pelas
divisões que estão presentes, e quase nos desesperamos por causa do que
vemos. Quanto antes pusermos tudo isso de lado, tanto melhor, e ainda
que haja cinqüenta mil facções terrestres do povo cristão, o corpo de
Cristo continua sendo um. É um corpo que não pode ser dividido; segue
sendo um. Esse é o fato básico ao qual devemos nos voltar, pois é onde
começamos.
Esta carta, na qual há a revelação do mistério de Cristo e dos seus
membros, a igreja, declara enfaticamente o fato da natureza corporativa
do Corpo. Não argumenta sobre isso nem o discute; dá-o por assentado. É
obvio, há graus de desfrute e de frutificação disso, mas não há graus no
próprio fato. O fato permanece sólido e estável. Nosso assunto é entrar
no fato de estar assentado e em seu significado; mas o fato de não
entrar no significado completo dele não significa que não existe.
O
problema é que nós não entramos no que Deus estabeleceu desde o começo;
quer dizer, temos que saber o que é que faz o corpo ser um, e esse é o
nosso assunto. A unidade existe; a nossa tarefa é captá-la, não fazê-la.
Notemos que a carta aos Efésios ainda está vigente, ainda é aplicável,
segue sendo verdade hoje. Depois de todos estes séculos, quando vemos as
facções e as divisões do povo cristão, a carta de Efésios segue sendo o
que foi no princípio, e representa o corpo como um todo sólido, uma
unidade corporativa.
É
só quando nos elevamos nos lugares celestiais, longe dos terrestres, que
começamos a entrar nesse fato e a compreender o que este significa para
Deus, para os lugares celestiais, para o inferno, e para este mundo.
Portanto, para que entremos no fato com tudo o que implica quanto à
vocação e à vida eficaz, temos que valorizar completamente o assunto por
causa da nossa posição em Cristo nos lugares celestiais, e ver
exatamente onde fomos postos espiritualmente; porque, enquanto não
chegarmos a reconhecer isso e entrar em nossa posição divina em Cristo,
não poderemos ver, apreciar ou entrar no significado desta realidade
divina da igreja, que é o seu Corpo. Não podemos ver a igreja do plano
terrestre; só podemos vê-la dos lugares celestiais.
Não desejo passar por isso como simplesmente declarando algo. Desejo que
obtenhamos o benefício disso. Você e eu podemos ter um desacordo, mas
isso não faz diferença em nossa relação no Senhor Jesus. O fato de que
possamos discrepar não nos separa como membros do corpo de Cristo. Não,
essa é a nossa perda, é a nossa vergonha, é algo incidental em nossa
vida cristã, é uma interrupção em alguma parte da graça em nós, mas nos
recuperaremos disso se nos rendermos ao mover do Espírito em nós, e nos
voltamos para encontrar que não temos sido meramente reincorporados em
Cristo em seu Corpo, mas esse fato permanece.
Vocês vêem que o princípio de ação é este: há muita divisão entre os
crentes nesta terra, mas não devemos aceitar isso como a última palavra.
Não temos que tomar isso como significado de que alguns estão em Cristo
e outros estão fora de Cristo, de que nós estamos em Cristo e outros não
estão, e de que todo o corpo paralisou e se desintegrou. A única
esperança de gozar do fato é que repudiemos o que parece ser outra
coisa, e busquemos do alto o que, sendo terreno, provoca estas coisas, e
descubramos que estamos nos lugares celestiais, e vivamos em comunhão.
Esse é um princípio de ação e deveríamos reconhecer que é o significado
do fato. Temos que aceitar o fato, e temos que tentar vencer ou negar as
outras coisas que se opõem a esse fato definitivo.
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