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Charis - O
Correio da Graça

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A PARÁBOLA
DO SEMEADOR
"Um
semeador saiu a semear...
E os que
estão junto do caminho...".
Lucas 8.5 e
12.
Encontramos
em nossa caminhada cristã vários tipos de pessoas: Algumas que nasceram
de novo e estão correndo com perseverança a carreira que está proposta.
Há outras que estão no início desta caminhada, são criancinhas em
Cristo. Encontraremos também aquelas que estão aprendendo, mas ainda não
chegaram ao pleno conhecimento da verdade. Também há aquelas que não
entendem nada do que é dito na Palavra; a sua atividade é apenas
religiosa, vive uma vida de hipocrisia. Estes são pecadores que se
escondem atrás de uma capa de religião para se justificarem diante de
Deus.
Nossa
função não é julgar, mesmo porque não somos melhores do que ninguém, mas
aprender de Jesus sobre a parábola do semeador (Lembrando que uma
parábola não é uma estória, mas uma verdade mostrada por um exemplo):
"quando semeava, caiu alguma junto do caminho, e foi pisada, e as
aves do céu a comeram; e outra caiu sobre pedra e, nascida, secou-se,
pois que não tinha umidade; e outra caiu entre espinhos e crescendo com
ela os espinhos, a sufocaram; e outra caiu em boa terra, e, nascida,
produziu fruto, a cento por um. Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem
tem ouvidos para ouvir, ouça" Lucas 8.5-8.
Esta
parábola não fala de salvação ou perdição, mas daqueles que são salvos e
necessitam crescer sobre a revelação do reino. No livro de Lucas não há
a expressão "palavra do reino", mas Mateus 13, no verso 19 ensina assim:
"Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o
maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi
semeado ao pé do caminho". Nesta parábola Jesus ensina aos seus
discípulos e não ao povo. Ao povo não é dado compreender porque para o
povo é preciso pregar o evangelho da graça e não o evangelho do reino
(Mateus 13.11).
A Palavra é
a semente de Deus para quem semeia e pão para quem come: "Porque,
assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas
regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador,
e pão ao que come, assim será a minha palavra, que sair da minha boca;
ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará
naquilo para que a enviei" Isaías 55.10-11.
A que caiu
na beira do caminho, são aquelas que o Senhor não achou a terra fofa,
mas dura. A beira do caminho é onde a terra é pisoteada pelos seus
transeuntes. Esta terra é comparada àqueles onde a Palavra de Deus cai
num coração endurecido para ouvir o ensino do Senhor, num coração de
incredulidade: "Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes
hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação,
no dia da tentação no deserto" Hebreus 3.7-8.
Como disse
Jesus, ainda que sejam solos duros, a Palavra é colocada nos seus
corações, porque tem coração para receber, e também porque a Palavra de
Deus é viva e eficaz (Hebreus 4.12). Como já vimos em meditações
anteriores, a Palavra de Deus para ser implantada nos nossos corações,
não depende da nossa compreensão ou aceitação. A princípio ela nos traz
conhecimento, depois fé e aí compreensão. Mas estes endurecem o coração
e não crêem. Ouvem, mas não a retém, e então vem o diabo e tira do
coração a Palavra: "Eles, porém, não quiseram escutar, e deram-me
o ombro rebelde, e ensurdeceram os seus ouvidos, para que não ouvissem.
Sim, fizeram os seus corações como pedra de diamante, para que não
ouvissem a lei, nem as palavras que o Senhor dos Exércitos enviara pelo
seu Espírito..." Zacarias 7.11-12.
Aqui mais
uma vez Deus nos prova pela Sua Palavra que não é livre-arbítrio; não
passa pela mente humana, nem pela vontade do homem. A Palavra de Deus é
implantada no coração do homem, mas como o endurece, vem o diabo e tira
a Palavra do coração, para que não lhe resplandeça o evangelho do reino,
a salvação com glória eterna:
"Portanto,
tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também eles alcancem a
salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna"
II Timóteo 2.10.
O Senhor
nos ensina que uma vez que o recebemos temos que crescer na graça e em
seu conhecimento (II Pedro 3.18). A salvação não é o fim da obra de
Deus, mas o seu propósito é nos fazer reinar juntamente com Cristo e
para isto nos adverte que temos que guardar até o fim a nossa confiança
inicial (Hebreus 3.5). Como o Senhor tirou aquele povo de Egito, e o
conduziu pelo deserto para introduzi-los na terra, o Senhor tem nos
falado sobre um reino, um descanso sabático para o povo de Deus que
ainda está por vir, e que devemos, por isso, correr com perseverança a
carreira proposta: "Portanto, resta ainda um repouso para o povo
de Deus. Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou
de suas obras, como Deus das suas. Procuremos, pois, entrar naquele
repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência"
Hebreus 4.9-11.
Jesus nesta
parábola nos ensina sobre a nossa caminhada cristã, e os percalços que
vamos encontrar no caminho. A primeira delas é quando ele nos ensina
sobre o reino. A salvação é pela graça, mas a entrada no reino requer
esforço e diligência:
"Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém
caia, segundo o mesmo exemplo de desobediência"
. A graça se manifestou salvadora a todos os homens (Tito 2.11), é para
todo aquele que confessar a Jesus como Senhor e crer no seu coração que
Deus o ressuscitou dentre os mortos (Romanos 10.9). Mas no reino nem
todos os filhos de Deus irão entrar, nem todos irão reinar com Cristo,
somente os vencedores: "Ao que vencer lhe concederei que se
assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu
Pai no seu trono" Apocalipse 3.21.
Por isso
quando o Senhor nos ensina sobre o reino, ainda que não compreendamos
muito bem, temos que recebê-lo por fé. Saber é o primeiro passo do
Senhor para nós, depois mediante a Sua Palavra temos que crer, e depois
então vamos entender: "Vós sois as minhas testemunhas, diz o
Senhor, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e
entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou,
e depois de mim nenhum haverá" Isaías 43.10. Este é o primeiro
passo quando ouvimos a palavra do reino. Mas aí vem a segunda parte.
"E os que
estão sobre pedra...".
Lucas 8.5 e
13.
Acima Jesus
nos ensina sobre aqueles que a Palavra cai à beira do caminho, isto é, a
Palavra é colocada em seus corações, mas porque eles endurecem o coração
quando ouvem a palavra do reino, e não crêem, logo vem o diabo e tira do
coração a Palavra. É interessante que quando ouvem até consentem com a
verdade, mas depois que o diabo tira a palavra do coração é como se
nunca a tivessem ouvido.
Como
podemos notar em todos eles a Palavra é a mesma, os solos é que são
diferentes. Nesse, a Palavra caiu sobre pedra: "E os que estão
sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria,
mas, como não têm raiz, apenas crêem por algum tempo, e no tempo da
tentação se desviam" Lucas 8.13. Ou como diz em Mateus, vindo a
angústia e a perseguição, logo se escandalizam (Mateus 13.21).
Como disse
Jesus, estes são os que ouvem a Palavra, e a recebem com alegria. A sua
fé é temporária, mas quando vem a provação, se escandalizam. A vida
cristã não é uma vida de aparências, mas de fé em fé, e de fé e
perseverança: "E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai ao
filho; e levantar-se-ão os filhos contra os pais, e os farão morrer. E
sereis odiados por todos por amor do meu nome; mas quem perseverar até
ao fim, esse será salvo" Mateus 13.12-13. As que caíram sobre
pedra, são aqueles que receberam a fé que vem pelo ouvir da Palavra de
Deus (Romanos 10.17), mas não suportam as provações, as tentações, as
perseguições por amor do Senhor. São os filhos de Deus que não querem
passar sofrimentos pela causa de Cristo. E por não passarem as
provações, não crescem, não chegam à perfeição: "Meus irmãos,
tende grande gozo quando cairdes em várias tentações; sabendo que a
prova da vossa fé opera a paciência. Tenha, porém, a paciência a sua
obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em
coisa alguma" Tiago 1.2-4.
O Senhor
não concorda em Sua Palavra com o evangelho da prosperidade, e muito
menos com o evangelho triunfalista. O Senhor não promete para os seus
filhos neste mundo uma vida pacata e tranquila. O que vemos muito
claramente são perseguições, injúrias, necessidades e até mortes. Quando
recebemos a palavra do reino, e a retemos com alegria, e passamos a
caminhar com os olhos fitos em Jesus, aí começam as angústias, as
provações e perseguições. É neste momento que mostramos a nossa
perseverança ou não nesta palavra. Mas também é neste momento que as
forças do inferno se levantam para nos impedir de caminhar, de fazer
mais firme a nossa vocação e eleição (II Pedro 1.10-11).
Como nos
ensina Deus em Sua Palavra, não há mais volta para aqueles em que a
semente cai sobre pedra. Como Esaú, eles até podem chorar querendo a
benção, mas não encontram lugar de arrependimento; estes não podem ser
renovados para o arrependimento: "E ninguém seja devasso, ou
profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de
primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a
bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda
que com lágrimas o buscou" Hebreus 12.16-17.
Esse não é
o caso daqueles que caem em pecado, se desviam e depois vem para a sua
denominada `igreja´ buscando reconciliação. Nesse caso as denominações
recebem de volta, mas Deus nunca o recebeu. Ele somente se desvia do
convívio com a igreja em que freqüentava, porque o homem nasce em
pecado, e é desviado de Deus desde a madre: "Alienam-se os ímpios
desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras"
Salmos 58.3; se não houver um nascimento do Espírito, será como uma
porca que foi lavada pelo batismo e volta para o lamaçal. Volta suja,
tornam a lavá-la e volta a sujar-se novamente: "Porquanto se,
depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do
Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e
vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque
melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que,
conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado; deste
modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão
voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama"
II Pedro 2.20-22.
Para os que
caíram entre pedras não há mais volta, somente a tristeza de ficar fora
do reino. Para o que se desviou da chamada `igreja´ em que freqüenta,
pode haver um verdadeiro arrependimento para com Deus, mas para os que a
semente caíu sobre pedra não. Como as virgens insensatas, quando o noivo
vier, eles ficarão fora do reino, a lamentar com choros e ranger de
dentes: "Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes
Abraão, e Isaque, e Jacó, e todos os profetas no reino de Deus, e vós
lançados fora." Lucas 13.28.
Temos que
compreender muito claramente que nesta parábola o Senhor Jesus não fala
de salvação ou perdição. Os dons e a vocação de Deus são sem
arrependimento. Aquilo que Deus nos deu por graça em Cristo jamais será
tirado de nós. A redenção que o Senhor nos deu é eterna, mas o que o
Senhor nos ensina nesta parábola é sobre o que acontece conosco na nossa
caminhada cristã. Desde quando recebemos a palavra do reino, até a nossa
entrada no reino em si. Como iremos nos portar diante das agruras desta
vida, do nosso viver neste mundo como filhos de Deus. Não sendo somente
ouvidos esquecidos, da palavra que é poderosa para salvar as nossas
almas, mas executores da obra (Tiago 1.19-25). Edificando a nossa casa
sobre uma rocha (Mateus 7.24).
A salvação
não é um fim, mas o início de uma caminhada cristã que nos levará à
entrada num reino, e de lá, depois de mil anos, ao novo céu e nova
terra. É verdade que depois de mil anos todos os filhos de Deus, tanto
os que reinaram com Jesus e os que ficaram fora do reino irão novamente
se reunir com o Senhor para a entrada no novo céu e nova terra, mas como
diz Paulo em I Coríntios 3, dos versos 12 a 15, sofrerão um prejuízo de
mil anos. Mil anos para Deus é como um dia, mas para aqueles que não
atentarem para a Sua Palavra, se escandalizarem e não perseverarem até o
fim, será uma eternidade: "E, se alguém sobre este fundamento
formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno,
palha, a obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará,
porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de
cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse
receberá galardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento;
mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo".
Portanto, a
exortação de Deus para todos os que têm ouvido a Sua Palavra é:
"Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já
temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas. Porque, se a
palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a transgressão e
desobediência recebeu a justa retribuição, Como escaparemos nós, se não
atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser
anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram;...
Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel,
para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os
dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se
endureça pelo engano do pecado; porque nos tornamos participantes de
Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao
fim" Hebreus 2.1-3, 3.12-14.
"A parte
que caiu entre os espinhos...".
Lucas 8.5 e
14.
Vimos
anteriormente Jesus nos ensinando sobre aqueles em que a Palavra caiu na
beira do caminho e entre pedras. Esses são os que ouvem e não a retém, e
os que caíram sobre pedras são os que recebem com alegria, mas é de
pouca duração; logo se escandalizam por causa das provações, angústias e
perseguições que sofrem por causa da Palavra. Experimentam várias coisas
de Deus, a salvação foi real para eles, mas no tempo da angústia e das
perseguições preferem não sofrer pelo Senhor. Buscam o seu próprio
proveito e se conformam a este mundo, procurando viver anônimos, ou no
mínimo, como aqueles que não provocam nenhuma contrariedade.
Na
continuação da parábola do semeador Jesus nos ensina sobre aqueles em
que a Palavra caiu entre espinhos: "E a que caiu entre espinhos,
esses são os que ouviram e, indo por diante, são sufocados com os
cuidados e riquezas e deleites da vida, e não dão fruto com perfeição"
Lucas 8.14. Há outra versão que diz que os frutos não chegam a
amadurecer. Eles dão frutos, vai o seu caminho, mas o fruto fica verde e
se perde. Eu creio que este é o estágio mais perigoso para um filho de
Deus, quando ele se depara com os prazeres desta vida.
Deus planta
a boa semente, na esperança de colher bons frutos: "Ou não o diz
certamente por nós? Certamente que por nós está escrito; porque o que
lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com
esperança de participar do fruto" I Coríntios 9.10, mas como
disse Jesus, ela é sufocada com os cuidados, riquezas e deleites da
vida. A pessoa crê com o coração, permanece na Sua Palavra, e vai o seu
caminho como um cristão, mas o cuidado e o prazer pelas coisas do mundo
sufocam a Palavra e não deixa que esse cristão dê um fruto perfeito, um
fruto que chegue a amadurecer: "Não ameis o mundo, nem o que no
mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque
tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos
olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa,
e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece
para sempre" I João 2.15-17.
Muitos dão
como desculpas nos seus muitos afazeres e cuidados com as coisas dessa
vida, que tem de cuidar com diligência daquilo que Deus lhes deu, como
uma mordomia, mas não é isso. Os cuidados dessa vida não podem sufocar a
Palavra que é viva em nós. Essas coisas não podem ser impedimentos para
a vida cristã, e sim de edificação. Quando nos são dadas como mordomia,
não sufocam a Palavra, mas dá muito fruto. Jesus aqui nos ensina que a
que caiu entre espinhos, que são esses cuidados e deleites da vida, eles
sufocam a Palavra. Esses cristãos não dão fruto com perfeição.
A vida
cristã é para alegria mútua, tanto de Deus que semeia a boa Palavra,
como daquele que dá bom fruto: "E, dizendo-o a Jotão, foi e pôs-se
no cume do monte de Gerizim, e levantou a sua voz, e clamou e
disse-lhes: Ouvi-me, cidadãos de Siquém, e Deus vos ouvirá a vós; foram
uma vez as árvores a ungir para si um rei, e disseram à oliveira: Reina
tu sobre nós. Porém a oliveira lhes disse: Deixaria eu a minha gordura,
que Deus e os homens em mim prezam, e iria pairar sobre as árvores?
Então disseram as árvores à figueira: Vem tu, e reina sobre nós. Porém a
figueira lhes disse: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, e iria
pairar sobre as árvores? Então disseram as árvores à videira: Vem tu, e
reina sobre nós. Porém a videira lhes disse: Deixaria eu o meu mosto,
que alegra a Deus e aos homens, e iria pairar sobre as árvores? Então
todas as árvores disseram ao espinheiro: Vem tu, e reina sobre nós. E
disse o espinheiro às árvores: Se, na verdade, me ungis por rei sobre
vós, vinde, e confiai-vos debaixo da minha sombra; mas, se não, saia
fogo do espinheiro que consuma os cedros do Líbano" Juízes
9.7-15.
A vida
cristã é comparada a uma plantação do Senhor, que dá muito fruto, para
que Ele seja glorificado (Isaías 61.3 e Salmos 1.3). Jesus nos ensina
que o Pai é o viticultor, Jesus a videira e nós os ramos. Ele cuida para
que a sua videira dê muito fruto. Fomos escolhidos por Jesus para dar
muito fruto, e não podemos deixar que o mundo, os seus cuidados e os
seus deleites nos desviem do propósito de Deus: "Eu sou a videira
verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Toda a vara em mim, que não dá
fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto.
Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei,
para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que
tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda" João
15.1-2 e 16.
Para os
cristãos, a amizade do mundo é inimizade contra Deus (Tiago 4.4), mas
não podemos esquecer que a sedução das riquezas e os deleites da vida
também não o deixam dar fruto com perfeição. Fomos criados para a Sua
Glória: "A todos os que são chamados pelo meu nome e os que criei
para a minha glória, os formei, e também os fiz" Isaías 43.7, e
para publicar o seu louvor e não para envolvermos e nos deleitarmos com
as coisas dessa vida: "Esse povo que formei para mim, para que
publicasse o meu louvor" Isaías 43.21.
Alias, há
uma coisa apenas que Deus considera galardão nesta vida, é comer do bem
do nosso trabalho e gozar com a mulher da nossa mocidade, porque o
restante é vão: "Goza
a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida vã, os quais
Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vaidade; porque esta é
a tua porção nesta vida, e no teu trabalho, que tu fizeste debaixo do
sol"
Eclesiastes
9.9.
Amar a Deus
de todo o nosso coração, de todo a nossa alma e de todo o nosso
pensamento é o primeiro e grande mandamento. Amar o próximo como a si
mesmo é o segundo e semelhante a este (Mateus 22.37-39). Amar não é
buscar o nosso próprio interesse, mas o do outro. Amar a Deus é viver
para Ele, buscar o seu interesse e não o nosso; publicar o seu louvor,
glorificá-Lo, e dar fruto com perfeição: "Assim, meus irmãos,
também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que
sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que
demos fruto para Deus" Romanos 7.4.
Creio que
em todas essas fazes que um cristão passa, como já dissemos, esta é a
mais perigosa porque pode parecer como se fosse uma benção de Deus. Como
se a prosperidade, os prazeres da vida fossem uma benção de Deus, e é
desde que não sufoque a Palavra, desde que não torne a vida cristã
infrutífera, estéril ou vã na graça de Deus: "Mas pela graça de
Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes
trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de
Deus, que está comigo" I Coríntios 15.10.
Mas se
formos a fundo nestas três fases que acontecem na vida de um cristão,
vamos constatar que Satanás está por trás de todas elas. A primeira
Jesus se refere a ele como arrebatando a palavra do coração daqueles que
ouviram, mas entre as pedras e os espinhos com certeza ele está por
trás, criando impedimentos para os filhos de Deus, e até entre aqueles
que a semente caiu em boa terra. Ele não pode retirar aquilo que Deus
deu a um filho, a salvação e o penhor do Espírito, mas ele tenta de
todas as formas impedir que um filho de Deus cresça, que dê muito fruto.
Ele é o inimigo das nossas almas, e já que ele não consegue tirar a
salvação, vai impedir de todas as formas que um filho de Deus reine,
porque esse é a sua inveja desde o princípio. Ele nunca aceitou que Deus
desse ao homem reinar nesta terra, e de todas as formas vem tentando
impedir desde o jardim do Éden.
E não
somente isto, mas como ele hoje é o príncipe deste mundo, se agarra com
unhas e dentes impedindo que o reino do Senhor seja estabelecido neste
mundo e que os filhos de Deus reinem com Ele. Ele não poderá impedir
completamente isto, mas para ele, ficará satisfeito em impedir que
muitos reinem e se glorie em Cristo. Mas há um jeito precioso de
vencê-lo, não nos conformarmos a este mundo, pois o mundo jaz no
maligno, e vencê-lo pelo sangue do Cordeiro e pela Palavra do seu
testemunho (Apocalipse 12.11). Portanto, estejamos apercebidos, tomando
toda a armadura de Deus e resistindo; remindo o tempo porque os dias são
maus. Amém.
"E a que
caiu em boa terra...".
Lucas 8.5 e
15.
Como vimos
anteriormente, Jesus nos ensinando os três tipos de solos em que a
Palavra de Deus caiu. No primeiro a Palavra foi colocada no coração, mas
vem o diabo e a arrebata para que não creiam. No segundo, a Palavra caiu
entre pedras. Esses recebem a Palavra com alegria, mas são de pouca
duração, não perseveram na vida cristã. O terceiro caiu entre espinhos.
Esses são os que se envolvem com os cuidados, deleites e prazeres dessa
vida e não dão fruto com perfeição.
Os seus
frutos não chegam a amadurecer, ficam ociosos e infrutíferos no
conhecimento de Cristo: "E vós também, pondo nisto mesmo toda a
diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência, e à
ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a
piedade, e à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade.
Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão
ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois
aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe"
II Pedro 1.5-9. Só enxergam o que está perto; só atentam para as coisas
temporais, as coisas que são visíveis: "Não atentando nós nas
coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são
temporais, e as que se não vêem são eternas" II Coríntios 4.18.
Jesus agora
nos fala por último, de um solo fértil, de uma boa terra que recebe a
Palavra e dá fruto com perseverança: "E a que caiu em boa terra,
esses são os que, ouvindo a palavra, a conservam num coração honesto e
bom, e dão fruto com perseverança" Lucas 8.15. Esses são
os cristãos que recebem a Palavra com um coração puro; um coração
honesto e bom. Esses são aqueles que guardam a Palavra de Deus em seus
corações para não pecar contra Ele: "Filho meu, guarda as minhas
palavras, e esconde dentro de ti os meus mandamentos. Guarda os meus
mandamentos e vive; e a minha lei, como a menina dos teus olhos. Ata-os
aos teus dedos, escreve-os na tábua do teu coração" Provérbios
7.1-3.
Esse é a
vida que Deus escolheu e nos deu para vivermos diante dEle, a vida de
Seu Filho. Essa não é a vida de um cristão especial, ou excepcional, mas
de um cristão normal, mas muito raros nesses dias. Toda a suficiência
para ela está em Cristo que é a nossa vida. Deus já nos deu tudo o que
diz respeito à vida e a piedade, pelo pleno conhecimento, daquele que
nos deu a sua plena graça, que nos chamou por sua própria glória e
virtude (II Pedro 1.3). O único impedimento para vivermos esta vida
vitoriosa não está em Deus, mas em nós mesmos, quando não recebemos a
palavra em nós implantada e não cremos, ou nos deixamos nos envolver com
as coisas desta vida. Da mesma forma que Deus pregou a Israel sobre uma
terra que emanava leite e mel, o Senhor tem hoje nos falado das
abundantes riquezas da sua graça para conosco em Cristo Jesus, onde
estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento.
Somente
quando tiramos os olhos de Jesus é que ficamos confundidos. Naquilo que
olhamos, que contemplamos é o que refletimos. Quando olhamos para as
circunstâncias, para as angústias, perseguições, ou mesmo para as
seduções das riquezas e deleites desta vida, refletimos no rosto como um
espelho a glória daquilo que contemplamos. Se olharmos para estas
coisas, vamos refletir no nosso viver estas coisas, mas se olhamos
firmemente para o Senhor, vamos refletir como um espelho a glória do
Senhor. E nesta glória somos transformados de glória em glória na mesma
imagem, como pelo Espírito do Senhor (II Coríntios 3.18).
O mundo
hoje vive em alta velocidade, exalta a precocidade. O amadurecimento é
feito em estufa, cada um busca o que é propriamente seu e não o que é de
Cristo (Filipenses 2.21); mas isto não se conforma com o Reino de Deus:
"Portanto assim diz o Senhor Deus: Eis que eu assentei em Sião uma
pedra, uma pedra já provada, pedra preciosa de esquina, que está bem
firme e fundada; aquele que crer não se apresse" Isaías 28.16.
"Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como
mil anos, e mil anos como um dia" II Pedro 3.8.
No Reino de
Deus, tudo tem o seu tempo próprio, e esse tempo é determinado por Deus:
"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o
propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo
de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou"
Eclesiastes 3.1-2. Para tudo há um tempo e um propósito. O Senhor
poderia nos dar a salvação e imediatamente nos retirar deste mundo, mas
Ele não faz isto. Ele usa este mundo, e até mesmo permite as investidas
de Satanás, como uma escola, como um exercício da fé para nós, mas não
para sermos vencidos, antes, sermos vencedores. Para estarmos com o
Senhor Jesus em seu reino temos que ser preparados para ele, obtermos o
caráter de Cristo e do seu reino de justiça. Nesta escola, na escola
neste mundo vamos passar por um ensino didático, depois prático, e em
cada ensino as provas virão a cada tempo para estarmos aprovados diante
de Deus.
No livro de
Marcos, capítulo 4, dos versos 4 a 29, podemos notar detalhes preciosos
quando Jesus conta a parábola do semeador. Nos versos 16 e 17, ele
ensina que a que caiu entre pedras, são aqueles que são apressados, são
temporãos, fora do tempo de Deus: "E da mesma forma os que recebem
a semente sobre pedregais; os quais, ouvindo a palavra, logo com prazer
a recebem; mas não têm raiz em si mesmos, antes são temporãos; depois,
sobrevindo tribulação ou perseguição, por causa da palavra, logo se
escandalizam". Logo em seguida, no mesmo capítulo 4 de Marcos,
nos versos 26 a 29, Ele nos ensina ao que se assemelha o Reino de Deus,
às fases normais de plantio e crescimento: "E dizia: O reino de
Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra. E dormisse, e se
levantasse de noite ou de dia, e a semente brotasse e crescesse, não
sabendo ele como. Porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a
erva, depois a espiga, por último o grão cheio na espiga. E, quando já o
fruto se mostra, mete-se-lhe logo a foice, porque está chegada a ceifa".
A Palavra
que cai num coração honesto e bom, no coração de um cristão normal, que
permanece em Cristo e na Sua Palavra (João 15.4-7), ele dá fruto com
perseverança. O fruto não é nosso, mas de Cristo, do Espírito:
"Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade,
bondade, fé, mansidão, temperança" Gálatas 5.22; mas para isso,
é necessário que cresçamos em tudo, naquele que é a cabeça Cristo, com
um aumento concedido por Deus, e não no tempo desse mundo:
"Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto
dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado
na sua carnal compreensão, e não ligado à cabeça, da qual todo o corpo,
provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento
de Deus" Colossenses 2.18-19.
Como disse
Jesus, é necessário primeiro nascer de novo: "Na verdade, na
verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino
de Deus" João 3.3, depois crescer na graça e no conhecimento
dEle: "Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e
Salvador, Jesus Cristo" II Pedro 3.18; se encher do Espírito:
"E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos
do Espírito" Efésios 5.18; depois perseverar nEle, e o fruto se
tornará uma conseqüência natural: "Permanecei em mim, e eu
permanecerei em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não
permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim. Eu
sou a videira, vós as varas; quem permanece em mim, e eu nele, esse dá
muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" João 15.4-5.
Todo o
trabalho é de Deus, de Seu Filho Jesus, e do Espírito Santo. Eles têm
lançado a sua semente, regado e trabalhado, para que se regozijem no
tempo da colheita: "E o que ceifa recebe galardão, e ajunta fruto
para a vida eterna; para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos
se regozijem" João 4.36. Toda vara nEle que não dá fruto será
cortada e lançada no fogo (João 15.6). Todo o empenho do Senhor com os
seus filhos é que dê o seu fruto a seu tempo: "Porque a terra que
embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa
para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; mas a que
produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu
fim é ser queimada. Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores, e
coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos. Porque Deus
não é injusto para se esquecer da vossa obra, e do trabalho do amor que
para com o seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos; e ainda
servis. Mas desejamos que cada um de vós mostre o mesmo cuidado até ao
fim, para completa certeza da esperança; para que vos não façais
negligentes, mas sejais imitadores dos que pela fé e paciência herdam as
promessas" Hebreus 6.7-12.
Mas mesmo
dando fruto com perseverança Jesus nos diz por esta semente que caiu em
boa terra, que a produção dos frutos podem ser em porcentagens
diferentes. Em Lucas diz apenas que produz cento por um, mas em Marcos,
no capítulo 4, no verso 20 diz: "E os que recebem a semente em boa
terra são os que ouvem a palavra e a recebem, e dão fruto, um a trinta,
outro a sessenta, outro a cem, por um". Este um é Cristo, é a
divina semente que permanece em nós (I João 3.9), e nEle podemos
frutificar 100%, 60% ou 30%. Lucas fala 100, e em Marcos também termina
por 100, porque o propósito do Senhor é que vivamos 100% em Cristo. Que
100% da nossa vida seja dando fruto para Deus em Cristo (Romanos 7.4).
Por isso
temos que estar apercebidos, vigiando, porque nem tudo o que reluz neste
mundo é ouro, é do alto. Se algo que parece ser bom se tornar
instrumento de impedimento para o crescimento na vida cristã é uma
tentação e não benção. Vemos que a mesma artimanha que Satanás usou com
Jesus, usa com os filhos de Deus. Na tentação de Jesus no deserto, ele
primeiro tenta fazer da Palavra de Deus algo apenas para o sustento da
sua necessidade e prazer cotidiano. Com Pedro, ele tenta Jesus a ter
compaixão de si mesmo, tentando levar Jesus a se escandalizar do caminho
da cruz que Deus o Pai tinha determinado para Ele (Mateus 16.21-22).
Depois, retornando novamente à tentação no deserto, tenta Jesus com as
riquezas e glórias deste mundo (Mateus 4.3-11). Estas são as mesmas três
coisas que Jesus disse na parábola do semeador: a semente que caiu à
beira do caminho, entre as pedras e entre os espinhos.
Da mesma
maneira que Ele foi tentado nós também somos, e da mesma maneira que Ele
sofreu e perseverou, nós temos também que sofrer e perseverar. Claro!
Não em nós mesmos, não na força do nosso braço e suficiência, mas
naquele que já é vencedor e que em tudo nos conduz em triunfo: Cristo
nossa vida. E se sofrermos e perseverarmos Jesus nos dá a promessa de
reinarmos com Ele, caso contrário Ele nos negará: "Se sofrermos,
também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; se
formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo".
II Timóteo 2.12-13. Ele é justo, porque estaremos negando aquele que em
nós é tudo em todos. Amém.
Edward Burke
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