"Para Que Eles Sejam Um, Assim Como Nós Somos Um"

Volume 1

Por T. Austin-Sparks

Primeiro de Vinte e Duas Reuniões em
Manila, Filipinas, 1964

"Para que eles sejam um; assim como Tu, oh Pai, és em Mim, e Eu em ti, que eles também sejam um em Nós: para que o mundo creia que Tu Me enviaste. E a glória que Tu me deste, Eu tenho dado a eles; para que eles sejam um, assim como Nós somos um". João 17:21,22

  

Reunião 1 – Os Caminhos de Deus são Diferentes Dos nossos Caminhos

Primeira Reunião
(Janeiro 30, 1964 P.M.)

Bem, posso apenas repetir as palavras de minha esposa e dizer: como estou feliz em estar com vocês novamente! Os preciosos momentos que tivemos juntos em minhas duas últimas visitas têm permanecido frescos, como uma lembrança muito vibrante. Mas quero agradecê-los, caros amigos, pelas calorosas boas vindas que vocês nos têm dado. Manila sempre nos dá boas vindas muito calorosas. Digo a vocês que faz apenas dois dias que deixamos a congelante Londres; e embarcamos no avião com todas as roupas de inverno. Quando chegamos a Manila, recebemos uma boa vinda muito calorosa, mais de uma vez. Não acho que o calor daqui, em termos de temperatura, seja maior do que o calor das boas vindas de vocês, quando olhamos do avião para o aeroporto ontem, e vimos a multidão de rostos felizes, e ouvimos aquelas vozes alegres, e sentimos aquelas mãos felizes. Vocês tinham que estar em nosso lugar para entender o que quero dizer quando agradeço a vocês pela boa vinda calorosa. E esta é a primeira coisa que eu quero dizer a vocês. Espero que quando formos embora, vocês não se esfriem conosco.

Agora me deixem dizer uma palavrinha sobre como é que chegamos e por quê. Tenho recebido muitos convites urgentes para vir a Manila por aproximadamente quase dois anos. Durante esse tempo, os convites têm se tornado cada vez mais fortes. Talvez vocês se perguntem por que eu esperei por quase dois anos. A explicação é uma bem importante, e será uma das questões mais vitais durante o tempo que estivermos juntos. Nós não nos atrasamos porque não queríamos vê-los, nem porque não queríamos vir tentar ajudá-los. Vocês sabem, caros amigos, somos prisioneiros de Jesus Cristo. Nós não podemos ir onde queremos ir. E não podemos nos mover quando queremos nos mover. Quando fizemos de Jesus o nosso "Senhor", nós O tornamos "Senhor" de todos os nossos movimentos e de todo o nosso tempo. Lembrem-se de que o apóstolo Paulo em duas ocasiões tentou tomar certas direções. Ele pensava que seria algo bom ir para Bitínia. Havia grande necessidade em Bitínia, e não há dúvida de que as pessoas de lá o estavam pressionando a ir ter com elas, mas Paulo disse: "o Espírito de Jesus não nos permitiu ir" (Atos 16:7). Ele sentiu o mesmo em relação a Ásia. Ele começou a se mover em direção a Ásia; e a Ásia era uma parte muito importante do mundo. As igrejas da Ásia iriam ser as sete igrejas para as quais seriam escritas as Cartas do Apocalipse. Mas naquela ocasião, ele foi impedido de pregar lá. Vocês sabem, não é a necessidade que decide. Não é porque sentimos que devemos fazer algo que este seja o tempo para fazê-lo. Não é porque pensamos que será uma boa coisa fazer isto.

O tempo do Senhor é uma coisa muito importante. Se vocês saírem do tempo do Senhor, vocês arruinarão a coisa toda. O Senhor conhece todas as necessidades. O Senhor conhece tudo sobre os convites das pessoas. Mas o Senhor diz: "Agora não. Eu tenho o meu tempo para isto". Ele não disse a Paulo o porquê de ele não poder ir a Bitínia ou a Ásia. Apenas lhe disse para não ir. Ele simplesmente disse: "Não, agora não". E Paulo, sendo prisioneiro de Jesus Cristo, sabia que não podia se mover até que o Senhor se movesse. Espero que vocês reconheçam que isto é um princípio muito importante em todas as coisas do Senhor. Pode até ser algo muito bom, muito correto, e pode até ser algo que o Senhor realmente irá fazer, porém deve ser no tempo dEle. Se eu tivesse chegado há um ano atrás, alguma coisa muito importante teria sido perdida. E eu teria que ir embora, dizendo: "Não, nós não chegamos lá ainda". Evidentemente o tempo não chegou. Mas isto não é o fim da nossa história.

Mas nós estamos aqui. Finalmente estamos aqui. E isto não é por causa da pressão do convite, mas é porque, como nós continuamente esperamos no Senhor, tivemos a sensibilidade de que o Senhor estava dizendo: "Agora é a hora". Vocês sabem, muitas coisas são necessárias quando se trata de ir de um lado do mundo para o outro, especialmente quando você já é bem velho. Nós não somos mais jovens. Costumávamos viajar bastante pelo mundo. Isto não significava nada em nossos dias mais jovens. Mas já não é tão fácil hoje em dia. Estamos ficando velhos. Contudo, isto apenas faz com que seja mais necessário andar com o Senhor. Então, assim que sentimos que o tempo do Senhor havia chegado, começamos a receber dEle aqueles vários sinais de confirmação. Não irei importuná-los com todos os detalhes, mas acho que esta tarde eu tenha aprendido pela primeira vez aquilo que o Senhor falou a minha esposa. Se ela já me falou esta palavra da parte do Senhor, eu não me lembro. Mas eu fui ao Senhor e Lhe pedi uma palavra. Disse: Senhor é muito importante que Tu me dês uma palavra para prosseguir. Numa manhã eu estava lendo a Bíblia; lia um capítulo que conhecia muito bem; estava lendo o capítulo 52 de Isaías. Eu não sabia que iria obter a resposta para a minha oração naquele capítulo. Mas, à medida que lia, cheguei a este versículo, e foi como se o Senhor dissesse: 'Esta é a Minha palavra para você sobre Manila’. E as palavras são essas: "O Senhor irá adiante de vós, e o Deus de Israel será a vossa retaguarda"' (Isa. 52:12).

Assim, o Senhor disse que quando viéssemos, descobriríamos que Ele estaria sempre adiante de nós. Poderíamos descobrir que Ele tinha vindo antes. E, então, havia muitas coisas a serem deixadas para trás. Muitas responsabilidades, e precisávamos de cautela. Mas a Palavra disse: "o Deus de Israel será a vossa retaguarda. O Senhor irá adiante de vós e o Senhor será a vossa retaguarda". Será que vocês poderiam querer algo melhor do que isto? Bem, viemos na força desta palavra; e estamos esperando encontrar o Senhor adiante de nós aqui todos os dias.

Agora, o que é isto que está em meu coração em relação ao tempo que passaremos juntos aqui? Eu não quero que vocês compreendam o que vou falar agora. Espero que isto não os desaponte. Eu não sinto que o Senhor tenha nos trazido aqui para dar a vocês mais uma porção de ensino. Quero dizer, não sinto que tenhamos vindo aqui para dar a vocês algo que eu tenha estudado na Palavra de Deus, dar a vocês um monte de sermões sobre alguns assuntos. Não é algo que eu tenha obtido de outra pessoa, nem de homens, nem de livros. Sinto que o Senhor quer que eu fale de experiência. Experiência é uma coisa muito valiosa. Há muitas pessoas que podem nos dar um maravilhoso sermão bíblico. Mas experiência é muito mais importante que isso. E, como vocês sabem, nós temos tido uma longa experiência com o Senhor.

Pessoalmente eu tenho estado na obra do Senhor por mais de cinquenta anos. Tem havido cinquenta anos de ampla e profunda experiência espiritual na escola do Senhor. Ele tem procurado me ensinar coisas em minha própria vida. E a principal coisa que Ele está me ensinando são os princípios sobre os quais Ele trabalha. Terei muito que falar a vocês sobre isto. Mas quero colocar a ênfase aqui. Não é teoria que irei dar a vocês. Não é algo preparado para reuniões. É aquilo que procede de experiência prática sob a mão do Senhor. Portanto, a coisa será muito prática.

Estou certo de que vocês já possuem teoria de sobra. Vocês têm muito ensino. Talvez eu não pudesse ensiná-los mais do que aquilo que vocês já sabem. Talvez estes cabelos cinzentos falem por si mesmo. Eles falam de profunda experiência na escola de Deus. O que eu tenho para dizer a vocês é aquilo que Deus tem feito em mim. Vocês não terão algo agradável, caros amigos. Vocês irão se deparar com questões muito práticas. Agora, se vocês não quiserem compromisso com o Senhor, não venham às reuniões. Vou entender que os que vierem realmente querem compromisso com Deus.

Vocês têm sido muito ensinados a respeito do propósito de Deus. Espero, se lhes fosse pedido, que cada um de vocês pudesse colocar num pedaço de papel o que vocês sabem ser o propósito de Deus. Mas há uma coisa mais importante que o propósito de Deus. É como Deus realiza o Seu propósito. É quase mais importante conhecer como Deus cumpre os Seus propósitos do que saber qual é o Seu propósito. Deus tem uma maneira, não apenas um fim; e é muito importante conhecer os caminhos de Deus tanto quanto o Seu propósito. Se há uma coisa que temos aprendido mais do que qualquer outra na escola de Deus é isto. Os caminhos de Deus são muito diferentes dos nossos caminhos. Muito frequentemente poderíamos fazer algo de certa maneira, e o Senhor falar: "Esta não é a minha maneira. Os vossos caminhos não são os Meus caminhos. Os Meus pensamentos não são os vossos pensamentos. Eu tenho os Meus próprios modos de fazer aquilo que quero fazer". Vocês não podem simplesmente dizer: "sei que o Senhor quer que tal e tal coisa seja feita, por isso, eu vou fazê-la!" O Senhor diz: "espere um pouco, Eu tenho a minha própria maneira de fazer isto, e minha maneira é tão importante quanto o meu objetivo". E eu penso que o Senhor quer que aprendamos algo de Seus caminhos nesses dias que estivermos juntos – aprender aquelas leis espirituais que governam o propósito de Deus.

Apenas uma última palavra, especialmente aos jovens, e a todos os demais. Este aprendizado sobre os caminhos de Deus é um negócio para a vida toda. Eu não conheço tudo. Ainda não aprendi tudo. Ainda tenho muito para aprender sobre os caminhos de Deus. O Senhor precisa constantemente dizer para mim: "Não, não por este caminho". "Não, não agora". É um aprendizado que dura a vida toda. Mas o Senhor é muito fiel conosco. Se realmente estivermos em Suas mãos, Ele irá nos ensinar os Seus caminhos. Vocês sabem, a palavra para Israel era a seguinte: "que para Israel o Senhor mostrou Suas obras, mas para Moisés e Arão, Ele mostrou os Seus caminhos". E os caminhos são muito mais importantes do que as obras. Moisés e Arão foram servos honrados do Senhor, e o Senhor lhes mostrou os Seus caminhos. Para todo o povo Ele podia apenas mostrar as Suas obras. Vocês ficarão satisfeitos em apenas ver as obras do Senhor? Ou vocês prefeririam entrar no segredo do Senhor? O segredo do Senhor é para aqueles que O temem; e Ele lhes mostrará os Seus caminhos (Sal. 25:14; 103:7). As demais pessoas irão apenas ver as Suas obras.

Peço que nestes dias vocês apliquem os seus corações para conhecer os caminhos do Senhor. Esta é realmente a coisa mais importante. Eu apenas pretendia dar a vocês uma palavra de saudação, agradecer pela recepção, e dizer que muitas pessoas em Londres falaram: 'Dê as nossas saudações aos nossos amigos lá'. E, como vocês podem ver, eu acabei extrapolando. Mas espero não tê-los cansado.

Reunião 2 - "Para Que Eles Sejam Um Em Nós"

Segunda Reunião
(Fevereiro 2, 1964 A.M.)

Por favor, abram suas bíblias no Novo Testamento. Primeiro no Evangelho de João, capítulo dezessete, versículo vinte e um. Vocês sabem que este capítulo contém a oração do Senhor Jesus momentos antes de Ele ir para a Cruz. Nesta oração, temos aquelas palavras do versículo vinte e um; Jesus fala ao Seu Pai: "que eles sejam um; assim como Tu, Pai, és em Mim, e Eu em Ti, que eles também possam ser um em nós" (ASV).

Quero que vocês observem particularmente como o Senhor coloca esta questão na última oração, que é tão importante, "Que eles também possam ser um em Nós". Agora quero que vocês retornem ao Evangelho de Mateus, no capítulo vinte e sete, no versículo quarenta e seis. "E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" Praticamente, essas foram as últimas palavras do nosso Senhor na cruz. Tudo o que restou a Ele fazer foi entregar o Seu Espírito ao Seu Pai. Suas últimas palavras, realmente, foram: "Meu Deus, por que Me desamparaste?" Esta foi a última fase da morte de Jesus Cristo e ela marca uma grande mudança em Sua vida e experiência espiritual. Jesus tinha vivido toda a Sua vida no Pai. Ele falava aos Seus discípulos: "Não credes que eu estou no Pai?" Toda a Sua vida, em todas as coisas, foi vivida no Pai. Temos muitos exemplos de como Ele recusou a se mover fora do Pai.

Na pequena cidade de Caná da Galiléia, vocês irão lembrar, Ele realizou o Seu primeiro milagre. É o milagre da transformação de água em vinho na festa de casamento. De alguma forma, no meio da festa, todo o vinho tinha acabado. O vinho era algo muito importante na festa, e havia se instalado uma situação bastante séria. A mãe de Jesus estava sentada ao lado dEle, à mesa, e ela simplesmente virou-se para Ele e disse: "Eles não têm vinho!". Ela, naturalmente, acreditava que Ele podia fazer algo a respeito e apresentou a situação a seu Filho. Em efeito, ela disse: "Você vai ter que fazer algo. Toda esta festa de casamento irá se arruinar. Todos estarão em dificuldade". Realmente Ele precisa fazer alguma coisa a respeito.

Observem o que o Senhor disse. Ele se virou para a Sua mãe e lhe disse: "Mulher, o que tenho contigo? Minha hora ainda não chegou". Há duas coisas aqui; uma aparente necessidade não é a base na qual Jesus trabalha. Apenas porque algo aparenta ser necessário, não significa que Ele irá fazê-lo. Ele espera por algo. Ele diz: "A minha hora ainda não chegou. Não posso fazer isto agora. Sei quão séria é a situação, mas não posso fazer nada agora. Posso até me compadecer dessas pessoas, mas não posso fazer nada!"

Por que Ele não podia fazer nada naquele momento? Porque Ele estava na dependência do Pai; Ele não vivia baseado em circunstâncias. Em Seu Espírito Ele estava dizendo: "Pai, Tu queres fazer isto? Estas pessoas estão em dificuldade; Minha querida mãe diz que eu preciso fazer alguma coisa. Mas, Pai, eu não posso fazer nada, a menos que Tu me digas para fazer". Jesus vivia no Pai. E, como Ele esperou pelo Pai, parece que o Pai disse: "Sim, tudo bem, vá em frente". Foi então que Ele disse: "Enchei as talhas com água". Esta é a primeira ilustração de como Jesus vivia no Pai.

Houve outra situação quando acontecia uma festa em Jerusalém; Jesus e Seus discípulos não estavam presentes na ocasião. Seus irmãos de sangue foram ter com Ele. Vocês sabem que eles não criam nEle. Eles disseram a Jesus: "Subi à festa; nós estamos indo; todos estão subindo à festa. É uma coisa que todo mundo faz. Se você não subir, as pessoas não irão compreendê-Lo; irão criticá-Lo; você perderá influência sobre elas. Se você quiser ser popular, é melhor fazer o que todos estão fazendo. Nós estamos indo para a festa". Eles disseram a Jesus: "Subi à festa".

O que Jesus fez? Moveu-se Ele de maneira a se tornar popular? Fez Ele coisas apenas porque todos estavam fazendo? Ou porque era costume fazer? Não, Ele se virou para os Seus irmãos de sangue e disse: "Subi vós; eu não subo à festa". E, então, Seus irmãos se foram. E, após eles terem ido, Jesus subiu à festa".

Esta é uma maneira estranha de se caminhar. Será que Ele não queria estar na companhia de Seus irmãos? Será que Ele falou algum tipo de inverdade?  "Eu não subo; subi vós". Estaria Ele pregando uma peça neles? Por que Jesus falou aquilo? Porque Ele vivia em sujeição ao Pai. Ele estava esperando pela palavra do Pai para poder ir. Ele jamais faria alguma coisa porque era algo popular. Jamais faria algo só porque as pessoas religiosas estavam fazendo. Jamais faria algo só porque era costume fazer. Ele não fazia as coisas só porque queria ficar bem perante as pessoas. A única coisa que governava a Sua vida era esta: "O Pai queria que Ele fizesse aquilo?" Assim, após os Seus irmãos terem ido, Ele disse: "Pai, Tu queres que eu vá?" E, evidentemente, o Pai disse: "Sim, vá". Então Ele foi. Não foi antes disso. Ele jamais fazia qualquer coisa até que o Pai lhe dissesse para fazer.

Em certa ocasião Jesus falou aos discípulos acerca de Sua ida a Jerusalém, para morrer. Então, Pedro o puxou e começou a repreendê-lo, dizendo: "Isto nunca acontecerá a Ti".  O Senhor virou-se para Pedro e disse: "Para trás de Mim, Satanás, que me serves de escândalo, pois não cogitas das coisas de Deus, mas dos homens". (Mat. 16:22,23). Se o Meu Pai diz que eu devo subir a Jerusalém para ser crucificado, esta é a última palavra. Não irei fazer coisa alguma para me livrar.

Mais tarde, próximo do fim, Jesus disse aos Seus discípulos: "Vamos para a Judéia". Foi na Judeia que as pessoas o arrastaram para crucificá-lo. Então Tiago falou: Não, Senhor, não iremos à Judéia; outro dia, quiseram apedrejar-Te; queres tornar para lá?' Jesus respondeu: 'Eu faço o que o Meu Pai Me manda. Sei que isto significará a cruz, mas preciso permanecer no Pai'.

Satanás estava sempre tentando separar Jesus de Seu Pai, tentando fazê-lo agir de forma independente. As três tentações no deserto foram justamente uma tentativa de Satanás se colocar entre Jesus e o Pai. Durante toda a vida de Jesus, Satanás tentou separá-lo de Seu Pai. Quando Jesus estava pendurado na cruz, naquele terrível sofrimento, Satanás veio através de alguns homens maus e disse: "desça da cruz e nós acreditaremos". Jesus podia ter descido da cruz. Ele havia dito um pouco antes: "se eu rogasse ao Pai, Ele Me enviaria doze legiões de anjos".

Vocês sabem o que apenas um anjo podia fazer. Apenas um anjo saiu, no Velho Testamento, e matou todo um exército de homens. Se apenas um anjo podia fazer aquilo, o que poderiam fazer doze legiões deles? Jesus precisava apenas pedir ao Pai por doze legiões de anjos, e eles O tirariam da cruz. Não, Ele deixou os anjos ficarem lá onde estavam. Ele disse: "Não beberei o cálice que o Meu Pai tem Me dado?" (João 18:11). No final, Satanás tentou se colocar entre Jesus e Seu Pai, mas Jesus sabia da grande importância de se permanecer em Deus.

Agora, no final a situação mudou. "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" Jesus está separado de Deus. Passou a haver uma grande distância entre Ele e Deus. Isto jamais tinha acontecido antes. Nem por um momento em Sua vida Jesus teve tal experiência. Deus, agora, está longe. Há uma grande divisão entre Ele e o Filho. Não apenas está Jesus separado do Pai, mas Ele estava experimentando a terrível desolação que aquilo significava. Há algo terrível associado àquela palavra, ‘desamparaste’, desamparado por Deus. Não há nada mais terrível do que isto. É a mais terrível desolação da alma. Não apenas distância e desolação, mas trevas.

Esta palavra ‘por que’ é uma palavra que significa: ‘Eu não compreendo. Estou completamente em trevas. É algo que não consigo entender'. "Por que me desamparaste?" Então, em seguida, Ele ficou em absoluta fraqueza. O apóstolo Paulo disse: "Ele foi crucificado em fraqueza". Era fraqueza tanto espiritual como física. Quando as pessoas zombaram dele, diziam: "Salvou os outros, mas não pode salvar a si mesmo". Havia muito de verdade nisso. "Não, Ele não podia salvar a Si mesmo. Ele não tinha poder para salvar a Si próprio. Estava em completa fraqueza, sem qualquer força para se salvar.

Talvez o pior aspecto de todos seja o senso da ira de Deus. 'Deus não se agrada mais de mim. Deus está zangado. Tudo isto diz que Deus está zangado. Estou sofrendo a ira de Deus'. Vocês podem imaginar o que isto significou para Aquele que havia vivido toda a sua vida no Pai? Por que tudo isto está acontecendo?

Vocês sabem que um dos títulos de Jesus é o de ‘o último Adão’. Temos que voltar ao primeiro Adão, para poder explicar tudo isto. Tudo isto que Jesus estava passando na cruz era o que o primeiro Adão tinha trazido sobre a raça humana. A coisa começou no céu; Satanás se rebelou contra Deus. Mas, antes de haver se rebelado contra Deus, ele vivia em Deus. Quando se rebelou, foi expulso de Deus. Não apenas da presença de Deus, mas da própria vida de Deus. Daquele momento em diante, Satanás ficou fora de Deus; passou a existir uma grande distância entre Deus e Satanás. Satanás tornou-se o príncipe das trevas. Ele foi lançado nas trevas, e ficou debaixo da ira de Deus.

Então Satanás vai até Adão; naquele tempo Adão ainda tinha sua vida em Deus; habitava em Deus. Vivia em Deus. Tinha tudo em Deus. E, então, através da tentação, Adão fez exatamente a mesma coisa que Satanás havia feito. Desobedeceu a Deus. Rebelou-se contra Deus. Observem o que aconteceu: ele foi separado de Deus. Não tinha mais a sua vida em Deus. Saiu em desolação. A terra foi amaldiçoada por causa dele. Todas as coisas más começaram a crescer na terra. Aquilo que um dia tinha sido um lindo jardim agora se tornou um deserto. Adão ficou na escuridão.

Após isso, Adão não mais compreendia a Deus. Não tinha mais conhecimento de Deus; e, então, ficou em total fraqueza, inteiramente incapaz de salvar a si próprio. Ficou debaixo da ira de Deus, e, como pai de toda raça humana, trouxe a raça toda para a mesma posição. Cada membro da raça adâmica está nesta posição por natureza. Não há um único membro da raça humana que naturalmente conheça o que é viver em Deus. Todos sabemos que o homem está longe de Deus, e Deus está longe do homem. E todo aquele que verdadeiramente conheça esta condição sabe que o homem está em desolação.

O clamor do coração do homem é: ‘Oh se eu soubesse onde encontrar Deus! Eu estou aqui, distante de Deus. É como se eu estivesse no deserto. Estou em trevas. Absolutamente não compreendo a Deus. Não tenho explicações para todos esses problemas da vida. Por que disso, e por que daquilo? Estou em trevas acerca de tudo isso. E tenho um sentimento de que Deus está contra mim’. É isso que a raça humana é por causa da rebelião de Adão. O homem e o mundo estão separados de Deus.

Agora chegamos ao real significado da cruz. Jesus, na condição de último Adão, assume o lugar do primeiro. Ele leva sobre Si mesmo todas aquelas condições que Adão trouxe para a raça humana. Ele sai da presença de Deus. Sai do lugar de vida, do lugar de luz. O lugar onde Adão estava e onde nós estamos. Tudo isto é resumido nesta palavra: "Por que me abandonaste?" A resposta é esta: para abrir o caminho de volta a Deus.

Caros amigos, vocês e eu reconhecemos que estamos naquela posição por natureza. Por natureza nós não temos vida em Deus. Estamos separados de Deus. Não temos capacidade para nos salvar. Não temos poder para compreender as coisas Divinas, e somos filhos da ira, mas o Senhor Jesus assumiu tudo isso em Si mesmo.

E agora, passemos do capítulo vinte e sete para o capítulo vinte e oito do evangelho de Mateus. O capítulo vinte e oito fala da ressurreição. O capítulo vinte e sete é um capítulo encerrado; é uma história encerrada. Na ressurreição há uma volta a Deus. Tudo na ressurreição de Jesus indica que Ele voltou para o Pai. A terrível história acabou. Ele não mais estava separado do Pai. Estava de volta ao seio do Pai. E, se na cruz Ele representou você e eu, e toda a raça humana, então, na ressurreição Ele também representa a todos nós que cremos nEle. É uma nova posição, mas o que eu quero enfatizar é uma pequena palavra. Não é apenas que Ele nos trouxe para perto de Deus; não é apenas que Ele nos uniu a Deus de uma forma exterior. A grande verdade é que Ele nos trouxe para dentro de Deus. Nossa posição agora é estarmos em Deus. É por isso que lemos aquele pequeno fragmento de João dezessete: "para que todos eles possam ser um; assim como Tu, ó Pai, és em Mim, e eu em Ti, que eles também sejam um em Nós". (ASV).

Vocês sabem, nossa vida como crianças renascidas do Senhor é para ser uma vida em Deus, não apenas caminhar ao lado de Deus, mas viver em Deus. Deus é a nossa esfera de vida. Tudo o que é de Deus é o terreno no qual devemos viver. Quero retomar isto mais tarde, assim, tenham paciência comigo, porque há muita coisa que depende disso. Suponho que haja um batistério aqui, em algum lugar. Quando vocês foram batizados, vocês não chegaram e se assentaram perto da água, talvez chegando o mais próximo dela quanto possível, ou talvez, apenas colocando a mão na água. Vocês não disseram: eu vim às águas do batismo; vocês entraram nelas. Quando vocês foram batizados, a água estava toda ao redor de vocês, e sobre vocês. A vida do cristão não é apenas viver ao lado de Deus; um cristão é chamado exatamente para viver em Deus.

Agora, a próxima coisa é que o Espírito Santo é dado a eles. Por que o Espírito Santo foi dado? Por que vocês têm o Espírito Santo? Por que Ele está em nós? Exatamente para nos ensinar a viver em Deus. É isto, nos fazer entender o que está em Deus, e o que não está. Se o Espírito Santo está em nós, e, se formos sensíveis a Ele, e falarmos algo que não é correto, Ele irá dizer: "Este não é o falar do Senhor, é o seu". Se nos comportarmos de maneira incorreta, Ele dirá: "Isto não é o Pai, é você". É algo fora do Pai. Assim, o Espírito Santo veio para nos ensinar e nos fazer conhecer o que está em Deus, e o que não está.

Se vivermos em nós mesmos, não viveremos em Deus. Jesus disse: "Permanecei em Mim, como Eu permaneço no Pai". Com isso Ele quer dizer que você obtém tudo a partir dEle, como Ele obtém tudo a partir do Pai.

Agora, vocês observaram qual é a grande obra do diabo? É, acima de tudo, ficar entre Deus e o homem. Tudo em nossa vida, que não seja de Deus, é do diabo. A grande obra do diabo, primeiro no céu, e, então, na terra, foi trazer divisão. Toda divisão, que toca as coisas de Deus, é do diabo. Nenhuma divisão entre o povo do Senhor é de Deus, é obra do diabo. E isto porque as pessoas em questão têm vivido em outro lugar que não em Deus. Talvez, tenham vivido em si mesmas, naquilo que elas querem, desejam ou pensam. Ou, podem estar tocando o mundo; não há nada como o mundo para dividir o povo de Deus. Ou, podem estar vivendo em alguma outra pessoa; vocês sabem, é possível vivermos em função de um homem. Tomem cuidado para não viverem em função de um homem. Se vocês fizerem isto, este homem fará com que vocês desçam. Haverá divisão, mais cedo ou mais tarde. Não façam do homem, não importa quão maravilhoso ele seja, quão grande pregador ou mestre ele seja, não façam dele a sua vida. Se vocês assim fizerem, poderão ficar fora do Senhor. O resultado será divisão. Isto é tudo o que o inimigo procura. Assim, permaneçam em Deus; façam o que o Senhor Jesus sempre fez: ‘Pai, Tu queres isto? Pai é isto o que Tu desejas? Pai é este o Teu caminho? Há argumentos fortes que eu poderia fazer isto ou aquilo. Por outro lado, parece que esta é a coisa que eu deva fazer, mas, Pai, isto não é bom o suficiente. Tu queres isto; queres isto agora?' Devemos obter isto do Senhor Jesus, e, como o Senhor Jesus, precisamos esperar o Senhor falar.

Agora, Jesus foi para a cruz, a fim de destruir tudo aquilo que estava entre Deus e nós. A ressurreição do Senhor Jesus é um grande movimento de retorno para dentro de Deus. Vocês terão que ler o Novo Testamento à luz disto. Apenas peguem o livro de Atos; vejam como isto funciona ali. Pedro, vocês sabem, tinha algumas dificuldades. Ele achava que era errado ir e comer com os gentios; ele os considera como coisas imundas. Ele tinha dificuldade com isso. Ele disse: "Não, Senhor, não desta maneira. Eu jamais fiz tal coisa antes!" Pedro estava, então, permanecendo em sua tradição religiosa. O Espírito Santo diz: "Olhe aqui, Pedro, Eu sei que você é religioso, mas você quer tradição ou Deus?" Pedro entendeu o ponto e permaneceu em Deus. Ele teve que fazer o que nunca havia feito antes. É uma grande abertura, não é?

Eu tentei lançar a lei mais importante da vida espiritual. E rogo a vocês: busquem viver em Deus, não em coisas, não em pessoas, não em lugares, não em circunstâncias, não em argumentos, não em inteligência humana, mas em Deus. Os pensamentos de Deus são diferentes dos nossos. "Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes em teu próprio entendimento" (Provérbios 3:5). Nós fomos trazidos pela ressurreição para um retorno EM Deus.

Que possamos aprender tudo o que isto significa, e isto será um aprendizado para a vida toda. Que o Senhor nos ajude.

 

Reunião 3 - "E Amou-os Até O Fim"

Terceira Reunião
(2 de Fevereiro de 1964 P.M.)

Vamos ler alguns versículos do Evangelho de João, capítulo treze, versículos um a vinte. Vocês foram avisados de que amanhã à noite haverá uma amável festa aqui, mas quero dizer que a verdadeira festa será hoje à noite. Todos nós cremos que a Mesa do Senhor é a expressão máxima do amor de Deus. Todos os hinos que cantamos esta tarde falaram sobre o amor de Deus. Houve hinos de ajuntamento ao redor da Mesa do Senhor. Esta mesa tem nos falado novamente do amor de Deus em Cristo Jesus. Neste capítulo que acabamos de ler, temos o Senhor estabelecendo a Sua mesa pela primeira vez. Esta foi a primeira vez que Ele se reuniu com os Seus discípulos ao redor desta mesa particular. Vocês percebem como o capítulo começa? "Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim." (ASV).

Assim, naquela mesa, Ele escreveu o Seu amor pelos Seus. Em efeito, Ele disse: "Esta mesa onde agora iremos comer e beber, é a personificação do Meu amor por vocês". Tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. E, então, tudo o que se segue naquele capítulo é uma explicação deste amor. Se eu lhes contar que há sete coisas nesses vinte versículos que definem o Seu amor, por favor, não fiquem preocupados de que eu vá pregar um longo sermão sobre esses pontos. Num curto espaço de tempo, podemos apenas assinalar alguns aspectos do amor de Cristo.

"Ele os amou até o fim". Penso que nesta declaração está a coisa mais maravilhosa que já veio a este mundo.  Jesus tinha tido muitos problemas com esses homens. Eles frequentemente não O compreendiam. Desapontavam-no muitas vezes. Realmente eram homens muito pobres. Ele tinha conhecido a história de cada um deles ao longo daqueles três últimos anos. Mas Ele também sabia o que iria acontecer após aquela noite. Ele disse a Pedro: "Antes que o galo cante, três vezes Me negarás" (Mat. 26:33b-35; ASV). Ele sabia que Pedro iria negá-Lo três vezes, dizendo: "Eu não conheço esse Homem". Ele disse acerca de todos: "Todos vocês irão se escandalizar de Mim esta noite. Todos vocês irão fugir e Me abandonar, e eu ficarei só; mas não ficarei sozinho, porque o Pai está comigo". Ele sabia quão pobre eram aqueles homens, mas amou-os até o fim.

Esta é a primeira coisa sobre este amor. Este amor não é ofendido por nossas falhas. Ele não diminui o Seu amor por causa dos nossos erros. Podemos frequentemente desapontá-Lo, podemos falhar para com Ele, entristecer o Seu coração, mas Ele continua nos amando. Ele nos ama até o fim. Ele não fica ofendido com os nossos fracassos. Este é um tipo de amor muito diferente do nosso. Este é o amor de Deus em Cristo.

A segunda coisa sobre este amor é quão condescendente ele é. Observem no versículo três, a primeira declaração no capítulo: "sabendo que o Pai havia colocado todas as coisas em Suas mãos". O Pai tinha colocado todas as coisas em Suas mãos. Quão grande é Jesus. Maior do que todos os outros. Isto jamais podia ser dito sobre qualquer outra pessoa. Deus entregou todas as coisas a Ele. Mas isto não O fez orgulhoso, a ponto de não amar esses homens. Ele não se fez superior a eles; Ele se abaixou ao nível deles. Grande como Ele era, amou homens tais como esses. Com toda a Sua grandeza, Ele desceu ao nível deles. Quão condescendente é o amor de Deus. É grande o suficiente para descer aos mais fracos e pequenos.

Algumas vezes pensamos na grandeza de Deus em termos de poder, em termos das coisas maravilhosas que Ele pode fazer. Quando pensamos em homens sendo grandes, pensamos em sua grandeza em termos de grandes coisas que eles podem fazer. A grandeza de Deus é esta, que, embora Ele tenha todo o universo para cuidar, todas as grandes coisas das nações, Ele se importa em cuidar das menores coisas. Algumas vezes falamos: "Oh, isto é algo muito pequeno para pedir que o Senhor se importe com ele. O Senhor é tão grande, Ele não pode ser incomodado com nossas pequenas coisas". Mas, esta é a grandeza de Deus, ser capaz de fazer isto. Um homem realmente grande é aquele que pode fazer uma porção de coisas pequenas. O Pai tinha entregado todas as coisas em Suas mãos, e, mesmo assim, Ele veio a esses homens, e os amou até o fim. Quão grande é o Seu amor!

Ponto número três: Olhem novamente para o capítulo, e observem que este amor não faz acepção de classes de pessoas. Vocês ouviram esta manhã: "Vós Me chamais de Mestre, e dizeis bem, pois Eu o sou. Ora, se Eu, o Senhor e Mestre, lavei os vossos pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros". Como vocês veem, Ele assumiu o lugar do servo que ninguém mais queria assumir. Do lado de fora da porta de cada sala de visita, havia uma bacia, uma jarra de água, e uma toalha. Se fosse uma casa abastada, também havia um servo. E, quando os convidados se assentavam, o servo vinha, tirava suas sandálias e lavava os seus pés. Mas aqui não se trata de uma casa abastada. Jesus era pobre. Os discípulos eram pobres. Agora, vocês conseguem vê-los entrando naquela sala? Talvez Pedro fosse o primeiro da fila; ele usualmente era o primeiro. Pedro viu aquela bacia e aquela água; ele sabia que ela estava lá, mas ele realmente não a estava vendo. Ele passou e os demais o seguiram. Eles todos sabiam que a bacia, a água e a toalha estavam lá, mas ninguém queria ser o servo. Todos entraram e se assentaram.

Jesus pegou a toalha, derramou a água na bacia, e foi diretamente para Pedro, o homem tão importante a seus próprios olhos, muito importante para ser um servo. O Senhor e Mestre foi o servo. Eles faziam distinção entre classes de pessoas, superior e inferior. Talvez Pedro dissesse: 'Eu sou superior a este outro homem, deixe que ele faça o serviço'. Talvez todos estivessem se sentindo superior. Mas Jesus não tinha esse espírito. O amor não conhece distinção entre classes de pessoas. O amor não conhece distinção entre nacionalidades. O amor de Deus em Cristo Jesus olha para nós todos da mesma maneira, como carentes do Seu amor. Seu amor está acima de todas as distinções terrenas.

Ponto número quatro: Vocês sabem, é tão fácil falar sobre amor, fingir que se ama, usar a linguagem do amor, cantar hinos sobre amor, e tudo pode ser sentimental;  talvez todos nós conheçamos pessoas que dizem nos amar, mas, muito frequentemente, são as pessoas que mais nos machucam. Agora, o amor de Jesus não era um amor sentimental; era amor prático. Ele não apenas dizia: ‘Irmãos, eu vos amo muito’. Ele realmente mostrava que os amava através daquilo que Ele fazia a eles. Não era amor sentimental, era amor prático. E este era o amor com que Ele os amou até o fim.

Chegamos agora ao ponto número cinco. Qual era o significado deste lava-pés? Nosso querido irmão, Watchman Nee, costumava falar do toque terreno; ele costumava dizer: 'Se vocês tocarem esta terra, vocês tocam o mal; tocam a morte'. Esses homens tinham caminhado pelas estradas sujas e poeirentas. Seus pés estavam literalmente cobertos da poeira desta terra. Mas com este ato simbólico, Jesus estava dizendo: 'Vocês têm que viver neste mundo, mas precisam se manter limpos dele’. E esta lavagem dos pés foi a maneira de Jesus dizer: ‘O Meu amor irá mantê-los livres do mal deste mundo’. O amor de Cristo é um amor que limpa. Não são apenas palavras, mas o amor nos ajuda a viver num nível mais elevado de vida.

Ponto número seis: Este amor é cheio de instrução espiritual. Jesus disse a eles: "O que Eu faço agora, não compreendeis, mas entenderão mais tarde". Este amor irá nos instruir sobre o que Deus ama e sobre o que Ele não ama. Até este ponto, os discípulos amavam o mundo. Seus corações estavam voltados para um reino neste mundo. Eles queriam os principais lugares no reino. Queriam ser pessoas importantes no Reino de Cristo. E a ideia deles era a de que Jesus iria estabelecer um reino no qual eles seriam importantes. Era o espírito do mundo. Eles amavam o mundo. Mas vejam o que o amor de Deus fez no coração deles! Removeu todo o amor deste mundo de seus corações. Eles saíram ao mundo e sofreram por causa do amor de Jesus em seus corações. Perderam todo interesse de se tornar pessoas importantes neste mundo. Afinal de contas, não importava se eles eram pessoas importantes na Igreja. Não tinham ambição de serem mestres e pregadores. Não ambicionavam ser anciãos da Igreja. O amor de Cristo tinha removido todo esse tipo de coisa. Saíram para sofrer e morrer por Jesus. Para renunciar suas vidas por Cristo. Foi algo tremendo o que o amor de Jesus fez neles.

Agora chegamos ao ponto sete, o qual não está neste capítulo, mas vocês realmente percebem que tudo isto aconteceu pouco antes de Jesus começar a falar a eles sobre o Espírito Santo. Jesus irá dar a eles aquele ensino maravilhoso sobre a vinda do Espírito Santo. "O Espírito, que o Pai irá enviar em Meu nome; Ele vos guiará a toda verdade. Ele não falará de Si mesmo, mas receberá daquilo que é Meu e vos mostrará a vós". O que isto significou? O Espírito que estava vindo seria o Espírito de amor. E o Espírito Santo iria trabalhar neles, a fim de produzir em relação ao próximo aquele mesmo amor que Cristo tinha por eles.

Caros amigos, se tivermos o Espírito Santo, pelo menos essas coisas devem ser encontradas em nós. As coisas que caracterizam o amor de Cristo pelos Seus discípulos também devem caracterizar o nosso amor pelo próximo. Este é o porquê de o Espírito Santo ter vindo, para que, assim como Ele nos amou até ao fim, possamos nós nos amarmos uns aos outros. Perdoem-me, eu ultrapassei cinco minutos do meu tempo. Mas, se apenas aprendermos esta grande lição do Seu amor, valeria a pena ficarmos aqui a noite inteira!

 

Reunião 4 - "Jesus Cristo... Senhor Deles e Nosso"

Quarta Reunião
(3 de Fevereiro de 1964 P.M.)

Caros amigos, não é minha intenção segurá-los por muito tempo. Na verdade acho que não irei falar muito a vocês esta tarde, mas há uma coisa que eu preciso dizer. Quão grato sou pela oportunidade que esta festa de amor tem me dado. Ela tem me dado a oportunidade de conhecer tantos irmãos e irmãs em Cristo. E não sou vaidoso o suficiente para pensar que esta amável festa foi arranjada só porque eu cheguei à Filipina. Mas realmente penso ser uma benção muito grande que muitos de nós tenhamos esta oportunidade. Talvez muitos de nós não nos reuníssemos neste momento, não fosse por esta oportunidade. Assim, agradeço aos meus irmãos por esta provisão. Se vocês tivessem me contado, quando eu estava falando aqui na última noite, que mais de setecentas pessoas iriam se reunir ao redor das mesas neste salão, acho que teria tido dificuldade para acreditar. Que maravilhosa festa tem sido, mas há algo mais maravilhoso do que a multidão, e há algo mais maravilhoso do que a festa. É o amor de Cristo que está em cada coração aqui esta noite.

Quando eu estava pensando e orando pelo momento desta tarde, e pedindo ao Senhor uma pequena palavra para dar a vocês, vieram ao meu coração as primeiras palavras de Paulo, na primeira Carta aos Coríntios; irei lê-las para vocês. "Paulo, chamado apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus, e Sóstenes, nosso irmão, à Igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em toda parte invocam o nome de Jesus Cristo nosso Senhor, tanto deles como nosso". É a última parte do versículo que está no meu coração, "com todos os que em toda parte invocam o nome de Jesus Cristo nosso Senhor, tanto deles como nosso". Creio que o apóstolo Paulo foi um homem muito sábio. Era um homem muito inteligente, e, nesses dois versículos, esta inteligência vem à tona. Observem que ele começa se dirigindo à igreja de Deus que está em Corinto. Os coríntios tinham uma grande divisão. Mais tarde o apóstolo diria que há divisões entre eles. E a divisão consistia em eles fazerem acepção de pessoas. Um grupo dizia: "nós somos de Paulo"; outro grupo dizia, "nós somos de Apolo"; e outro grupo dizia, "nós somos de Pedro"; assim, eram pessoas marcadas por divisões. Foi a essas pessoas e a essas divisões que o apóstolo disse: "a todos os que em toda parte invocam o nome do Senhor Jesus, Senhor deles e nosso".

Quão grande é a igreja? Ela é tão grande quanto Jesus Cristo. O problema com os coríntios era que eles estavam tornando Jesus muito menor do que Ele realmente é. Assim, o apóstolo, bem no início, disse: Não, Jesus é maior do que todos os grupos juntos. A todos aqueles que em todo lugar invocam o nome do Senhor Jesus, Senhor deles e nosso.

As divisões são sempre o resultado de tornar Jesus menor do que Ele é. Nosso Senhor Jesus é maior do que os homens. Temos um hino que possui a seguinte frase: 'O amor de Deus é maior do que a medida da mente humana'. Nós estamos sempre tornando Deus, e o amor de Deus, do tamanho da nossa própria mente. E, se as pessoas não concordam conosco, então é aí que o amor de Deus termina para nós. Nós aqui esta noite representamos muitos grupos. Talvez tenhamos a nossa própria ideia sobre as coisas, mas, se esta festa realmente faz jus ao seu nome, ela representa algo muito maior do que a nossa própria mente. Nós não estamos ligados a homens ou a um homem. Nenhum homem pode medir Cristo para nós. Estamos reunidos aqui esta noite porque esta é uma verdadeira festa de amor. E isto significa que o amor de Cristo está em nossos corações. Nós deixamos os nossos grupos. Deixamos as nossas divisões. Estamos aqui no fundamento comum de Cristo. Que grande coisa seria se todos os cristãos apenas tomassem este fundamento! O fundamento de muitos cristãos são as denominações, as organizações, algum ensino especial, e muitas outras coisas. Mas, o verdadeiro fundamento do cristão é Cristo. Se nós todos tivéssemos mais interesse pelo Senhor Jesus do que por coisas religiosas, que diferença isso faria no mundo.

Agora, eu espero que vocês todos concordem com isto. Vocês concordaram na teoria, mas vocês sabem que isto é algo bem prático. Morar perto de certas pessoas é um assunto muito prático. Você se expõe, não é mesmo? A maneira como você convive com o seu vizinho. Agora, há outra coisa com a qual todos vocês irão concordar na teoria. É que esta vida é uma preparação para o céu. Vocês creem nisso? Vocês dizem que estão a caminho do céu. E esperam um dia estar lá. E vocês irão concordar que esta vida presente é uma preparação para o céu. Vocês realmente acreditam nisso? Porque isso é algo muito prático. Nós todos teremos vizinhos no céu. Todos iremos morar próximo à porta uns dos outros. Vocês se lembram de que há uma descrição da Nova Jerusalém no final da Bíblia?

Receio que as pessoas que escreveram os nossos hinos tenham se desviado disso. Há um hino que diz: 'As ruas, dizem, são pavimentadas com ouro puro'. Esta é uma falsa doutrina. Na Bíblia está dito que existe apenas uma única rua. Apenas uma rua na Nova Jerusalém. Esta única rua é de ouro. Caros amigos, nós iremos todos morar na mesma rua no céu. Seremos todos vizinhos lá. Se for para tomarmos literalmente, nós não seremos capazes de sair das nossas casas sem encontrar com ninguém no céu.

Uma vez uma pessoa chegou à Inglaterra, vindo da América; as pessoas viajavam no mesmo tipo de barco que nós. Esta pessoa nunca tinha estado na Inglaterra antes. Embarcamos no trem para irmos do porto a Londres. Ela viu todas as linhas de casas juntas e ficou chocada. ‘Olhem as casas todas juntas. O que fazer se você não gostar do seu vizinho?’

No céu existe apenas uma única rua. É pavimentada de ouro puro. Agora, eu não creio que devemos tomar isto literalmente. Creio que é simbólico, e serve para nos ensinar duas coisas. (1) Todos nós iremos viver em estrita comunhão no céu. E (2) o ouro é o símbolo do amor de Deus. Viveremos todos juntos no amor de Deus.

Agora, disse que vocês acreditam que esta vida é a preparação para o céu. Vocês realmente creem nisso? Seria melhor começarem a aprender a conviver com os seus vizinhos agora. Refiro-me aos seus vizinhos cristãos. Todos aqueles que em toda parte invocam o nome do nosso Senhor Jesus.

Qual vai ser a principal característica do céu? Está escrito que Cristo será tudo em todos. Será que a característica do céu vai ser Cristo em todas as coisas? Não coisas, instituições, mas apenas Cristo. Se for desta maneira, então é melhor que comecemos a tornar Cristo tudo agora. Se vamos ter todas as coisas como uma antecipação do céu nesta vida, será apenas como Cristo é, mais do que qualquer coisa. Assim, nossas orações diárias devem ser: 'Senhor, prepara-me para o céu, e faça isso enchendo-me mais e mais de Cristo'. Tomem essas palavras do Apóstolo Paulo: "com todos aqueles que em toda parte invocam o nome de Jesus Cristo, nosso Senhor, Senhor deles e nosso". O Senhor abençoe a todos vocês, caros amigos.

Reunião 5 - "Adoração em Espírito e em Verdade"

Quinta Reunião
(5 de Fevereiro , 1964 A.M.)

Acho que está entendido que não estou dando sermões a esta hora da manhã. Estou apenas procurando trazer os irmãos aos princípios fundamentais da obra de Deus. Pode ser um trabalho duro trazer-nos de volta ao Senhor Jesus. Não demorou muito tempo após os apóstolos terem partido para que todas essas coisas com as quais estamos familiarizados hoje entrassem no cristianismo. O batismo infantil tomou o lugar do batismo por imersão através da fé em Jesus Cristo. Isto foi instituído logo após o apóstolo João ter partido para o Senhor.

O cristianismo, então, foi organizado num sistema eclesiástico de Bispos e Arcebispos que levam a um Papa. Os paramentos e rituais do cristianismo mais tarde surgiram bem nesse tempo. Pessoas que estavam em autoridade foram colocadas lá, não porque eram homens espirituais, mas por outros motivos. Esta tendência já estava começando a se manifestar antes de os apóstolos terem terminado seus ministérios. É muito importante que tomemos nota disso, porque temos herdado um cristianismo que não é verdadeiro conforme a sua origem.

Agora, tomem vocês aquilo que pode ser a última Carta do apóstolo Paulo, isto é, a Segunda Carta a Timóteo. Naturalmente, há muitas coisas nesta carta das quais gostamos muito. Gostamos de Segundo Timóteo capítulo dois, versículo quinze: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade". Mas nem sempre reconhecemos que essas palavras contêm um corretivo. Elas podem ser uma chamada à posição original. Naturalmente, gostamos muito de: "sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo". Mas nem sempre reconhecemos que isto segue junto com: "Milita a boa milícia da fé" (1 Tim. 6:12). A batalha do soldado de Jesus Cristo é a batalha pela pureza da fé. Isto é, a pureza do cristianismo tal como era no princípio.  Temos que ler Segundo Timóteo à luz desta verdade. Esta carta foi escrita porque as pessoas não estavam se comportando adequadamente na casa de Deus. Paulo disse ter escrito esta carta para que os homens pudessem saber como se comportar na casa de Deus. Havia um mau comportamento na casa de Deus. E vocês sabem que Timóteo provavelmente era um ancião na igreja de Éfeso. Isto foi algo terrível de se dizer para Éfeso. Pense em tudo aquilo que vocês conhecem sobre Éfeso. E, então, disse Paulo, até mesmo em Éfeso os homens não estão se comportando adequadamente na casa de Deus.

Mais adiante iremos abordar algumas das coisas que precisavam ser corrigidas. Para o momento, o nosso assunto é que, já lá no início, as coisas estavam começando a se desviar de sua posição original. As últimas cartas escritas no Novo Testamento foram as Cartas do Apóstolo João. Ele escreveu as suas cartas após todos os demais apóstolos terem partido para o Senhor. Suponho que todos nós gostamos das cartas de João. E suponho que, talvez, gostemos mais do Evangelho de João. Mas, vocês realmente observaram a marca das cartas de João? Ele começa a primeira carta com as seguintes palavras: "O que era desde o princípio". Isto os leva direto para o princípio. E, então, as cartas têm a ver com correção de doutrina e de caráter. Os irmãos estavam se desviando do ensino original. Estavam se desviando do padrão de vida original. Observem novamente, João provavelmente estava escrevendo a Éfeso. Então, quando vocês chegam ao seu livro do Apocalipse, o Senhor começa com Éfeso. E Ele diz: "Deixaste o primeiro amor". Vocês saíram da posição original. Acho que já falei o suficiente para provar que, ao final dos escritos do Novo Testamento, de um lado, as coisas já estavam começando a se desviar da posição original. Do outro lado, os apóstolos estavam preocupados em trazer de volta os crentes à posição inicial.

Por muito tempo eu costumava me perguntar por que os Evangelhos foram escritos tão tarde no Novo Testamento. Por Mateus, Marcos, Lucas e João aparecerem por primeiro no Novo Testamento, como nós os temos, pois são os primeiros livros ligados ao volume do Novo Testamento, somos inclinados a ter a impressão de que eles foram os primeiros livros escritos. Gostaria de corrigir isto, se este for o equívoco de vocês. Esses quatro Evangelhos foram escritos muito após as Epístolas terem sido escritas. Eu costumava me perguntar o porquê disso. Por que deveriam esses escritores dos evangelhos voltar à vida terrena do Senhor Jesus após todas estas maravilhosas revelações terem sido dadas? Eles tinham recebido a maravilhosa revelação da ressurreição e ascensão do Senhor aos céus. Tinham recebido a maravilhosa revelação da Igreja, que é o Seu Corpo. Tinham chegado a ver algo do eterno conselho de Deus. E, após terem recebido tudo isto, voltaram direto para a Sua vida terrena de três anos e meio. Por muito tempo eu costumava me perguntar o porquê disso. Para mim isto significava descer do céu à terra, sair da eternidade e entrar no tempo. Não compreendia isto. Assim, debrucei-me sobre as epístolas, e, por muitos anos, fiquei completamente ocupado com elas. Fiquei tomado por esses conselhos eternos de Deus. Pelo Corpo espiritual de Cristo, a Igreja. Vivia quase que inteiramente nesses últimos escritos do Novo Testamento. Contudo, o fato continuava lá: aqueles homens escreveram os evangelhos depois de as epístolas terem sido escritas. Isto é, muitas das epístolas, não todas. Agora, eu tinha uma questão, e por muito tempo ela não foi respondida. Eu não compreendia por que os evangelhos foram escritos tão tarde. E, embora tivesse sido escritos depois de algumas epístolas, o Espírito Santo colocou-os em primeiro lugar no Novo Testamento.

Aqui está uma lei espiritual. O Espírito Santo nem sempre está muito preocupado com a cronologia. Cronologia é uma coisa, ordem espiritual é outra. Vocês entendem? O Espírito Santo está sempre preocupado com a ordem espiritual. Bem, aqui estava a minha questão, mas eu a tive respondida em minha própria experiência. Mais tarde, o Espírito Santo levou-me de volta aos evangelhos.

Quero colocar aqui outra coisa; algo muito importante. Quando comecei a ler a Bíblia, especialmente o Novo Testamento, fiz o que muitas pessoas fazem. Li os quatro evangelhos como uma história da vida terrena, da obra e do ensino de Jesus. É uma história muito interessante a forma como Ele nasceu na pequena cidade de Belém, os pastores, os sábios, a estrela e todas aquelas coisas. Muito interessante. Como cresceu na oficina de carpintaria da cidade de Nazaré. Como, aos doze anos, foi levado ao templo em Jerusalém. Como foi ao Jordão para ser batizado por João, o Batista. Como Ele percorreu o país, curando as pessoas de suas enfermidades, ajudando-as em seus problemas. E quão grandes multidões O seguiam por toda parte, por causa da ajuda que Ele podia oferecer a elas, geralmente de forma física. Então, como as autoridades ficavam com inveja de tudo isso, e tomavam conselho para matá-lo. É uma história espantosa a forma como Ele foi condenado e crucificado, e como foi ressuscitado ao terceiro dia. Tudo isso compõe uma maravilhosa história. Naturalmente, esta era a forma como eu lia os evangelhos. Eu tinha obras de referência, livros sobre a vida do Senhor Jesus, livros muito interessantes, e isto era tudo o que os evangelhos significavam para mim. Eu pensava que, quando Jesus morreu e ressuscitou, que isto foi o fim dos evangelhos.

Passamos por Atos e ficamos nas Epístolas! Cheguei a pensar que isto era tudo. Todo mundo pode ler os Evangelhos desta maneira. Suponho que qualquer pessoa não convertida ficaria interessada em ler a história da vida terrena de Jesus, mas nós falhamos em reconhecer o seguinte: que ninguém realmente pode compreender os Evangelhos até que passe pela experiência do Livro de Atos. Pela experiência do Pentecostes. Vocês sabem que até mesmo os próprios discípulos não compreendiam nada, até passarem pelo Pentecostes. Não compreendiam a obra e o ensino de Jesus, até passarem pelo Pentecostes. Eu poderia agora gastar uma hora mostrando isso a vocês. Eles se moveram, durante toda a vida terrena de Jesus, com um céu fechado. Este era o problema que o Senhor Jesus tinha em relação a eles. Ele disse: "Há tanto tempo tenho estado convosco e ainda não me conheceis?" E durante todo o percurso, Seu problema era que os Seus discípulos não compreendiam o que Ele estava falando.

E por causa desta cegueira espiritual, ao invés de enxergar que em Sua crucificação todo o Velho Testamento estava cumprido, eles ficaram todos ofendidos. Sobre Sua morte, Ele sempre falou que "convinha que as Escrituras se cumprissem". E, quando se cumpriram, Ele disse: "Isto é o que eu estava tentando dizer a vocês o tempo todo". Mas eles não enxergavam, e por isso ficavam ofendidos. Todos eles abandonaram Jesus, e vocês sabem a posição que eles ficaram, olhando para aqueles dois homens no caminho de Emaús. Eles falaram: "Esperávamos que fosse Ele quem redimisse Israel. Todas as nossas esperanças se foram. Nossa fé tem se confundido". Percebem quão cegos eles estavam? Eles só enxergaram quando o Senhor lhes abriu os olhos.

Meu ponto é o seguinte: Ninguém consegue verdadeiramente compreender os Evangelhos enquanto não receber o Espírito Santo, e chegar a uma real e profunda experiência de morte e ressurreição com Cristo; pois é esta experiência, não a doutrina, que abre o céu para nós. Quando eu passei por esta experiência de ressurreição e união com Cristo, e de nova vida no Espírito Santo, o Espírito Santo começou a me levar de volta aos Evangelhos, e me mostrou o real significado deles. Os Evangelhos tinham se tornado vivo. Agora, tudo isto é uma preparação para o que vamos falar.  

Chegamos, então, aos ajustes que a nossa vida espiritual exige, e vamos direto para o início. Comecemos no quarto capítulo do Evangelho de João. Este capítulo, como vocês sabem, contém a conversa que Jesus teve com a mulher de Samaria. Numa determinada altura da conversa, a mulher disse as seguintes palavras, as quais estão no versículo dezenove. A parte importante de todo este capítulo está nos versículos dezenove a vinte e quatro. A mulher disse: "Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoravam neste monte, mas vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar". Jesus, porém, disse a ela: "Mulher, creia-me, a hora vem e já é, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis ao Pai. Vós adorais o que não conheceis, pois a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, quando os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade: pois aos tais o Pai procura, que assim o adorem. Deus é Espírito, e os que o adoram devem adorá-lo em espírito e em verdade". Voltemos ao capítulo cinco, verso vinte e cinco: "Em verdade, em verdade vos digo, a hora vem, e agora é, quando os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que ouvirem viverão". Agora, eu me pergunto se vocês reconhecem as coisas tremendas que estão contidas nestas palavras. Primeiro, elas representam uma mudança completa na dispensação. Até então, tinha sido Jerusalém e Samaria; isto é, era o templo em Jerusalém e o templo em Samaria. Esses templos representavam toda uma ordem de coisas. Era uma questão de lugar especial em Samaria ou em Jerusalém, conforme você fosse um samaritano ou um judeu. Se você fosse um judeu, Jerusalém era o centro de tudo. Em lugar algum você encontraria Deus, somente no templo. A ordem de coisas no templo em Jerusalém era tudo, e você não iria encontrar isso em nenhum outro lugar. Os sacerdotes, os sacrifícios, o altar e tudo mais, aquele templo era o centro de todas as coisas.

Do mesmo modo era para os samaritanos no templo em Samaria. Agora Jesus diz algo tremendo. "A hora vem, e agora é, quando nem em Jerusalém nem em Samaria; nem neste lugar especial, nem naquele". Nada mais irá ficar centralizado e contido em algum lugar especial. A adoração a Deus não mais ficará sujeito a uma forma específica. Isto acaba, em um só golpe, com toda aquela dispensação. É algo tremendo. Suponhamos que vocês escrevessem num quadro negro e colocassem nele todas as suas doutrinas, práticas, e coisas que vocês deveriam fazer. E dissessem: "Isto é cristianismo". E alguém chegasse com uma esponja e apagasse tudo, e dissesse: "Isso é um absurdo; não é nada disso". O que vocês fariam com esta pessoa? Vocês o crucificariam. E foi isso o que Jesus fez. Ele acabou com toda uma dispensação com apenas um golpe de sua mão. Ele colocou outra coisa no lugar. O que foi que Ele colocou no lugar? "Deus é Espírito: e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e em verdade".

Todo o velho sistema de coisas pode ser muito real para vocês, mas ele pode não ser verdadeiro. Pode ser apenas um sistema de símbolos e tipos, e isto não é a verdade. Vocês podem se ocupar com o que está na superfície, e com o que é visível: com o que vocês ouvem com os ouvidos naturais, com o que vocês enxergam com os olhos naturais, e podem não entender o significado disso tudo. É o significado que é a verdade, não a coisa em si. O centro de tudo para os judeus era a cerimônia da circuncisão. Este era o sinal de que você de fato era um verdadeiro judeu. Você jamais poderia ser um judeu a menos que fosse circuncidado. Ouçam o que o Apóstolo diz: "Nem a circuncisão, nem a incircuncisão é coisa alguma". É um judeu que está dizendo isto! Vocês não ficam surpresos por terem os judeus tentado matar Paulo. Não, este não é o assunto, e, caros amigos, no cristianismo o batismo toma o lugar da circuncisão; mas o batismo não é nada. Na Etiópia, os cristãos cópticos são batizados todos os anos. Vocês poderiam ser batizados todos os dias se quisessem. Poderiam ser batizados a cada hora do dia, e isto não faria qualquer diferença. Se vocês vão à Mesa do Senhor toda a semana, isto não faz diferença. Vocês podem adotar qualquer forma de cristianismo, e realmente ainda não saberem nada a respeito dele. É isto que iríamos estudar esta manhã.

Mas o meu tempo acabou; prometo que vou deixar vocês irem para os seus trabalhos; assim, tenho que interromper aqui neste ponto. Vocês entenderam esta primeira coisa? Iremos continuar, se o Senhor permitir, amanhã de manhã. Quando Jesus disse: "Creiam-me, a hora vem, e agora é, quando os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade". A coisa não precisa ser em Jerusalém, nem em Samaria, nem em Antioquia, ou em qualquer outro lugar. "Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estarei no meio deles". João três, versículo dezesseis, é a palavra universal para a salvação. "Todo o que nele crer", isto inclui a todos em relação à salvação, chamados à salvação. Mateus dezoito (verso 20) é o outro lado das coisas, lá vocês têm a Igreja. E vocês têm outra palavra universal para Igreja. Não é neste ou naquele lugar; não é neste terreno ou naquele. Não é no terreno da Igreja; é o terreno de Cristo! Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, adorando em espírito e em verdade. A dispensação mudou. Esta é a primeira corretiva que se faz necessário hoje. O cristianismo se tornou um grande sistema legalista. "Vocês precisam fazer a coisa aqui! Precisam ficar aqui! Precisam fazer a coisa desta maneira, ou não serão Igreja". O Senhor Jesus acabou com tudo isso desde o princípio. Todas estas exigências foram incorporadas pelos homens na Igreja posteriormente. Mas Jesus disse que a única condição necessária é esta: "em espírito e em verdade". Cristo removeu todo espaço para qualquer outro sistema. CRISTO É O ÚNICO SISTEMA. Mas nós precisamos aprender a Cristo. Devemos parar por aqui esta manhã.

 

Reunião 6 - "A coisa Mais Importante é o Conhecimento Espiritual"

Sexta Reunião
(5 de Fevereiro de 1964 P.M.)

Vamos ler a Palavra de Deus no Evangelho de Mateus, capítulo treze, versos um a dezessete: "Tendo Jesus saído de casa, naquele mesmo dia, estava assentado junto ao mar; e ajuntou-se muita gente ao pé dele, de sorte que, entrando num barco, se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia. E falou-lhe de muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear. E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na; e outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda; mas, vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz. E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na. E outra caiu em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas? Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado; porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, e, vendo, vereis, mas não percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, e ouviram de mau grado com seus ouvidos, e fecharam seus olhos; para que não vejam com os olhos, e ouçam com os ouvidos, e compreendam com o coração, e se convertam, e eu os cure. Mas, bem-aventurados os vossos olhos, porque veem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram".

E, então, os versos cinquenta e um e cinquenta e dois:

"E disse-lhes Jesus: Entenderam vocês todas estas coisas? Disseram-lhe eles: Sim, Senhor. E Ele lhes disse: Por isso, todo o escriba instruído acerca do reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas".

Algumas semanas antes, eu soube que viria a Manila; o Senhor estava falando a mim sobre determinado assunto. E, então, quando soube que viria, o Senhor me mostrou que este era o assunto que Ele queria que eu falasse a vocês. Sinto que este é o assunto mais importante na vida cristã. Espero que vocês anotem esta declaração. Qual é a coisa mais importante na vida cristã? É esta: "CONHECIMENTO ESPIRITUAL". Eu não creio que exista outra coisa mais importante para nós do que conhecimento espiritual. Talvez vocês tenham percebido que este é o assunto ao redor do qual circula todo este capítulo treze do livro de Mateus. Tudo está centralizado e focalizado nesta questão de CONHECIMENTO ESPIRITUAL!

O Senhor Jesus está falando aqui sobre o reino de Deus. Esta é o grande assunto com o qual Ele está ocupado. É uma questão muito abrangente essa do reino de Deus. Tudo se resume nisso. Precisamos compreender que o reino de Deus é um assunto eterno. Que vai diretamente para a eternidade passada. Que segue através de todas as eras; e, então, se completa na eternidade que está por vir. E tudo o que temos na Bíblia está reunido nesta única questão: o reino de Deus. O reino de Deus é o governo soberano de Deus. O governo de Deus está sobre todas as coisas no universo, especialmente neste mundo. Este reino foi dado como herança pelo Pai ao Seu Filho. No início da carta aos Hebreus, temos as seguintes palavras a respeito do Filho de Deus. Está escrito: "A quem constituiu como herdeiro de todas as coisas". Isto deve ter acontecido bem antes de o mundo ter sido criado. Deus, o Pai, nomeou o Seu Filho como herdeiro de todas as coisas. Em outras palavras, Ele deu o reino ao Filho. O reino de Deus é o reino eterno de Seu Filho. O Filho de Deus está designado para reinar sobre todas as coisas.

Outra coisa que nos é revelada nas Escrituras é que o homem foi criado com o propósito de participar dessa herança com Jesus Cristo no reino de Deus. Deus criou o homem a fim de que ele reine juntamente com o Seu Filho. Novamente, na mesma carta aos Hebreus, a questão é retomada: "O que é o homem, para que Te lembres dele?" "Tu o fizeste para que tenha domínio sobre as obras de Tuas mãos". "Colocaste todas as coisas sob os seus pés". Assim, temos que começar com essas três coisas: (1) Deus, o Pai, sobre todas as coisas. O reino pertence a Deus, o governo Divino sobre todas as coisas. (2) Ao Filho é dado o lugar à destra do Pai no Trono. O Pai diz ao Filho: "Assenta-te à Minha direita, até que eu coloque os Teus inimigos debaixo dos teus pés". (3) E, então, o homem é criado, a fim de participar do reino com o Filho. Estas são as primeiras três coisas na Bíblia.

Então, comecemos novamente. A próxima coisa é que o homem entregou o reino a Satanás. O homem entregou a sua herança nas mãos do diabo. Foi assim que Satanás se tornou o príncipe deste mundo. E o reino deste mundo foi tirado do Filho de Deus. Lá estava este usurpador que assumiu o lugar do filho de Deus. O Apóstolo João diz: "O mundo todo jaz no maligno" (1 João 5:19b). Este é o número (4).

Agora o número (5). O Filho não pode ficar eternamente privado de Sua herança, mas Ele tem que retomá-la novamente. Assim, o Filho de Deus deixou o Seu lugar à destra de Seu Pai e desceu a este mundo. Veio para resgatar o reino para Si mesmo e para o Seu Pai. O Filho de Deus foi manifestado para destruir as obras do Diabo. Assim, Ele veio para anunciar o reino de Deus, e para resgatar o reino para Si mesmo e para Deus, e para resgatar o homem como o instrumento do Filho, para que reine com Ele nesse reino. Assim que EM e ATRAVÉS de Jesus Cristo, somos chamados ao reino eterno de Deus.

Agora, notem que o evangelho de Mateus é todo ele sobre o reino de Deus. E este capítulo treze é um capítulo específico em relação ao reino de Deus. Mas, voltemos para onde começamos. O reino de Deus pode ser perdido por causa de uma coisa. Nós podemos perder a nossa herança em Cristo por causa de uma única coisa. Tudo o que este maravilhoso e eterno reino de Deus significa pode ser perdido por causa de uma única coisa. O Senhor Jesus centraliza todo o reino de Deus nesta questão da COMPREENSÃO ESPIRITUAL. E Ele ilustra esta questão de compreensão espiritual por meio dessas parábolas. Por um lado, Ele torna a questão da compreensão espiritual a coisa mais importante. Ele diz que se você não a tiver, poderá perder tudo. Por outro lado, Ele diz que este é o caminho para o reino. Assim, chegamos à parábola do semeador, como é chamada. Ela é uma explicação simples sobre o significado da compreensão espiritual.

O Senhor Jesus deu esta parábola para uma grande multidão de pessoas. Talvez fossem todos judeus, isto é, tinham toda a história do Velho Testamento como pano de fundo. Conheciam tudo o que o Velho Testamento continha. Conheciam tudo o que Moisés havia escrito. Conheciam tudo o que os profetas haviam falado e escrito. Tinham esta admirável possessão do Velho Testamento. Contudo, o Senhor Jesus falou a eles acerca do Reino de Deus, como se fossem criancinhas. Em certo sentido, qualquer criança pequena consegue compreender a parábola do semeador. É uma ótima história para crianças: 'Um semeador saiu a semear. E ao semear, algumas sementes caíram à beira do caminho; outras caíram em terreno pedregoso; e outras caíram entre espinhos; e outras caíram em bom solo’. Quem não consegue entender isto? Se Jesus perguntou a eles: ‘Compreendeis?’ Eles deveriam responder: ‘Naturalmente, compreendemos’. O que vocês compreendem? Bem, o semeador saiu a semear, e isto foi o que aconteceu às suas sementes. Mas Jesus disse: ‘Vocês não compreenderam nada’. Vocês não conseguem entender uma pequena história de criança’. E até mesmo os discípulos não entenderam.

Se eles tivessem compreendido a parábola do semeador, teriam dito: 'Naturalmente compreendemos'. Qualquer um podia entender um semeador saindo a semear. Realmente isto não exige muito entendimento, vocês podem ver isso todos os dias. Mas até mesmo os discípulos de Jesus não compreenderam. E eles foram a Jesus e disseram: "Explica-nos a parábola do semeador". O que eles realmente estavam dizendo era: ‘Tu queres transmitir algo muito além do que isto que estás dizendo. Há algo por trás desta história, e nós não conseguimos entender o que é. O Senhor poderia explicá-la para nós?’ Então Ele lhes dá a explicação e pergunta: "Compreenderam agora?" "Oh, sim, compreendemos". Mas está muito claro que durante todo o restante da vida deles, até Jesus ser crucificado, eles ainda não haviam compreendido. Eles pertenciam a esta mesma grande multidão de pessoas que ainda vive hoje, pessoas que pensam que entendem a verdade, mas não entendem. Tais pessoas têm todos os ensinos cristãos. Têm todas as doutrinas do Novo Testamento. Têm o Livro em si, e o Livro está na cabeça delas. Podem citar qualquer ponto da Escritura e ainda assim não ter entendimento espiritual. Isto é possível, caros amigos. É possível ter todos os ensinamentos sem ter a compreensão espiritual. E todo problema no cristianismo hoje se deve a essa ausência de entendimento espiritual.

Agora, eu não vou gastar tempo com todos os detalhes desta parábola. Vocês sabem o que o Senhor Jesus disse sobre a semente e os vários resultados. Mas antes de entrarmos em alguns desses detalhes, vamos observar uma ou duas verdades gerais. Primeiro, o semeador é o próprio Senhor Jesus. É do próprio Senhor que a Palavra deve vir. Aquilo que recebemos de Deus precisa vir a nós diretamente do Senhor Jesus. Assim, é dito que o semeador é o Filho de Deus. O que é a semente? Jesus a chama de a Palavra do reino. Quando o homem recebe a Palavra do reino, a Palavra do Senhor Jesus o traz para o reino. Este é todo o propósito da Palavra de Deus. Não é para que conheçamos a Bíblia, embora seja algo muito bom conhecê-la. Não é para que nós memorizemos a Bíblia, e tenhamos tudo em nossa cabeça. Isto, também, é algo muito bom, mas o objetivo de Deus é que a Palavra nos traga para o reino.

Agora, observem os diferentes tipos de solos sobre os quais a Palavra caiu. Quantos tipos de solo há aqui? Eu sei o que vocês dirão; dirão que há quatro tipos de solos. É isso? Não há muitos de vocês balançando a cabeça; vocês estão temerosos! Estão com medo de que eu os apanhe, mas, se disserem que há quatro, vou dizer que estão errados! Há seis. Vamos entrar nisso mais adiante. Para o momento, vamos dizer que são quatro, ou seis. Esses diferentes tipos de solos representam diferentes tipos de pessoas.

Gostaria que vocês observassem o seguinte: O mesmo Senhor vem com a mesma Palavra para todo o tipo de pessoa. O Senhor Jesus sabia que algumas pessoas seriam como a beira do caminho, mas Ele não disse: ‘Oh, eu sei que vocês não são bons; eu não vou lhes dar a minha Palavra. Eu sei que vocês não vão dar muito fruto, assim, não vou desperdiçar a minha Palavra com vocês. Vou deixá-los ficar onde estão'. E, então, o que dizer dessas pessoas parecidas com solo pedregoso? Bem, sei muito bem como vocês vão responder. Sei muito bem que irão receber a Palavra com muita alegria. Que dirão: ‘Oh, isto é muito bom’. Sei que irei obter algo disso’. E, então, após algum tempo, as coisas começam a ficar difícil, vem a perseguição e o sofrimento, e vocês perderão o interesse. Este é o fim de vocês. Jesus conhecia tudo a respeito dessas pessoas antes que Ele começasse. Mas Ele não disse: ‘Estarei desperdiçando o meu tempo se der a vocês a minha Palavra. Irei deixá-los para lá.  E que tal aquelas pessoas do tipo solo espinhoso? Bem, são pessoas que estão muito ocupadas com os negócios deste mundo; o comércio é a sua grande preocupação, o que fazer para ganhar o máximo de dinheiro da forma mais rápida. Para esse tipo de pessoa o negócio é tudo; a profissão ocupa todo o seu tempo. E quanto aos demais, bem, eles estão totalmente preocupados com os prazeres desta vida. 'Eu sei perfeitamente que os negócios, as profissões e os prazeres irão simplesmente sufocar a Palavra que Eu der a vocês. Assim, não vou desperdiçar o meu tempo com vocês. Jesus jamais disse algo semelhante a isso. Ele não disse: ‘Eu sei que este é um bom solo. Irei concentrar toda a minha atenção aqui. Eu sei que vocês irão me dar o que Eu desejo, por isso vocês são as únicas pessoas nas quais estou interessado'. Não, Jesus jamais disse isso.

Jesus trouxe e traz a Sua Palavra a todo tipo de gente. E por que Ele faz isso? Nenhum homem de negócio aqui esta noite, faria isso. Pessoas muito espirituais não fariam isso. Elas diriam: 'Isto não é o senso comum. Não é um bom negócio. Não é de bom juízo fazer isso. Vamos nos concentrar apenas naquilo que temos certeza. É um mau negócio dar atenção a pessoas duvidosas'. Mas vocês percebem que o senso de Jesus é diferente do nosso. E é ai que entra o ENTENDIMENTO ESPIRITUAL, o qual é diferente do entendimento natural.

Por que Jesus fazia tais coisas, as quais os homens do mundo chamavam de loucura? Ele as fazia por uma razão. Ele coloca a responsabilidade em relação à Sua Palavra sobre cada um de nós. A reação à Palavra de Deus é responsabilidade nossa. Após Ele trazer a Sua Palavra a nós, Ele transfere a responsabilidade para nós. Ele fala ao homem da beira do caminho: ‘Se você quiser, pode receber o mesmo que o homem do bom solo’. Ele fala ao homem do solo pedregoso: ‘Esta minha Palavra pode operar em você o mesmo que opera em qualquer outra pessoa'. Ele fala ao homem do solo espinhoso: ‘A minha Palavra é tão poderosa para operar em você quanto em qualquer outra pessoa'.

Agora, o que vocês realmente diriam se o Filho de Deus viesse a este mundo apenas para salvar as boas pessoas, aqueles de bom caráter? Se Ele tivesse deixado todos os demais de lado, eu sei o que vocês diriam: ‘Isto não é justo. Aqui estou eu, pobre criatura. Minha constituição é do tipo pobre. Eu sou apenas uma criatura do tipo beira do caminho. Meu coração é muito pedregoso. Eu sei que tenho um grande amor por este mundo. Será que isto significa que eu não tenho qualquer chance de entrar no reino?’ Não seria justo, seria?

Assim, Jesus vem com a Sua Palavra e diz: ‘Esta Palavra tem em si o mesmo poder para todos os tipos de pessoas’. O que você é naturalmente não faz diferença. Agora Jesus entra na questão. Vocês percebem uma palavra que repetidamente ocorre nessas parábolas? É a palavra "CORAÇÃO". Um bom coração; É UMA QUESTÃO DE CORAÇÃO, e não uma questão de ser um pobre humano. É apenas uma questão de onde está o seu coração. Você tem um coração receptivo ao Senhor? Você tem um coração receptivo ao reino de Deus? Realmente é uma questão de coração. O Senhor diz que, se você tiver tal coração, isto resultará em COMPREENSÃO ESPIRITUAL. Assim, Ele pega esta terrível parábola à partir da profecia de Isaías, que diz: "Com o ouvido ouvireis, mas de modo algum compreendereis; e com os olhos vereis, mas de modo algum percebereis; pois o coração deste povo está endurecido, e seus ouvidos estão embotados para que não ouçam, e seus ouvidos estão fechados". O profeta tinha dado a Palavra de Deus a essas pessoas. A Palavra de Deus era lida em seus ajuntamentos todos os dias e todas as semanas. Mas eles não tinham corações receptivos à Palavra de Deus. Não respondiam em seus corações. Então o Senhor trouxe o juízo sobre eles. Ele diz, ‘vocês têm fechado os seus corações; Eu irei fechá-los. Vocês têm fechado os seus ouvidos; Eu irei fechá-los. Quando quiserem ver, não mais serão capazes. Quando quiserem ouvir, não poderão. Irei tirar de vocês o poder da compreensão espiritual’. Há um alerta para nós aqui. Receio que encontremos algumas vezes cristãos assim.

Será que poderei falar esta palavra bastante solene aos cristãos jovens? Pode ser que vocês tenham crescidos num lar cristão. Vocês podem conhecer aquilo que seus pais lhes ensinaram sobre o Senhor. Pode ser que vocês tenham sido levados às reuniões; talvez tenham frequentado a escola dominical. Vocês conhecem tudo sobre isso. Sim, conhecem a respeito do Senhor Jesus. Conhecem o que está na Bíblia. Mas vocês não estão caminhando com o Senhor. Talvez vocês estejam partindo o coração de seus pais. Vocês não estão se alegrando com a Palavra de Deus. Na verdade vocês não são cristãos vivos, que tomam seus lugares entre o povo de Deus, que recebem a ajuda do Senhor contra as forças do mal. São apenas cristãos de nome. Algo aconteceu, ou está acontecendo que está roubando aquilo que vocês tinham. Vocês estão perdendo o poder da compreensão espiritual. Vocês estão perdendo o poder, a visão e a audição espiritual. Vocês sabem tudo o que está acontecendo no meio do povo do Senhor, mas isso não interessa muito a vocês. Vocês podem ouvir tudo quanto é dito na reunião, ou no lar, mas isto não interessa a vocês.

Há muitos cristãos jovens assim. E todas essas coisas estão acontecendo a eles. Eles estão em perigo de perder a COMPREENSÃO ESPIRITUAL e, também, todo o maravilhoso significado do reino de Deus, de participar do reino juntamente com o Filho de Deus, de reinar juntamente com Ele em glória. Vocês estão em perigo de perder isso. É preciso compreensão espiritual. E COMPREENSÃO ESPIRITUAL DEPENDE DE SE TER UM CORAÇÃO RECEPTIVO AO SENHOR. De não ser cristão que desiste, que não têm uma mente voltada para o Senhor. Aqui vem a Palavra com todas as suas poderosas possibilidades, mas devido à falta de uma mente voltada para o Senhor, a Palavra acaba não significando coisa alguma.

Ou a pessoa pode ser do tipo solo pedregoso; de natureza superficial, que vive somente na superfície das coisas, e mostra isso através da resposta rápida que dá. Oh, é algo amável ver pessoas jovens darem uma resposta rápida ao Senhor, mas, se vocês tivessem vivido o tanto de tempo que eu já vivi, iriam saber que muitas dessas pessoas que entram na coisa muito rapidamente e dizem; ‘Oh, aqui está algo para mim’, essas pessoas não duram muito tempo. Elas acabam descobrindo que o reino de Deus não é somente para a sua benção, mas para a glória do Senhor. Vocês sabem, há uma ideia errada de que o cristianismo é algo somente para o nosso bem, assim, queremos a benção, queremos o bem. Falamos o que Pedro disse certa feita: "não apenas os meus pés, mas também a minha cabeça e as minhas mãos". Ele disse isso porque queria tudo que pudesse obter para si mesmo. Mais tarde, ele entendeu que tudo devia ser para o Senhor. E ele não perdeu tudo quando chegou a entender isso. Quando o seu coração foi mudado, e ele tinha agora um coração somente para o Senhor, então ele entrou na plenitude do reino.

Oh, e o que dizer do terreno espinhoso? Refere-se a pessoas que possuem todas essas maravilhosas ocupações nesta vida, negócio, profissão e prazer. E essas coisas tomam o primeiro lugar em suas vidas. Seus corações ficam divididos. Uma pequena parte de seus corações quer o Senhor, mas a maior parte quer o mundo. Seus corações não estão completamente definidos no Senhor. Estão em perigo de perder o reino. Enquanto o Senhor não tiver todo o nosso coração, nós não entraremos no real significado do reino. Paulo orou aos crentes de Éfeso, para que o Senhor lhes desse espírito de sabedoria e de revelação; para que os olhos de seus corações pudessem ser iluminados. Qual é a sua reação para com o Senhor? É realmente uma reação de um coração por inteiro?

Eu tenho mais cinco minutos e vou voltar a este disputado ponto sobre quantos tipos de solos há. Vocês disseram quatro: beira do caminho; o pedregoso, o cheio de espinho e o bom solo. São apenas esses? Mas o que dizer sobre os três diferentes tipos de solos bons? O Senhor diz que até mesmo o bom solo produz, uns a trinta, outros a sessenta e alguns a cem.  Assim, até mesmo o bom solo pode ser diferente. Pode produzir três diferentes graus no reino. Podemos até  desconsiderar os que produzem cem. Mas o que dizer dos que produzem trinta e sessenta? Pode haver algo de errado até mesmo com as boas pessoas. Por que todas as boas pessoas não produzem cem?

Oh, sim, há pessoas cujo bom coração não é rebelde ao Senhor. Elas não dizem: ‘Eu não quero as Palavras de Deus’. Elas dão uma resposta ao Senhor, e isto vem do coração delas. Mas outras pessoas possuem reservas. Algumas pessoas muito boas dizem; ‘Se eu mergulhar de cabeça nas coisas do Senhor, o que os meus amigos irão dizer de mim? Vocês sabem o que as pessoas da minha igreja iriam dizer de mim. E vocês sabem, talvez a minha posição nos negócios fosse afetada. Preciso ser cauteloso. Não posso perder a minha influência com as demais pessoas. Preciso pensar sobre o que as demais pessoas irão pensar e dizer. O meu comitê espera algo de mim. Se eu entrar de cabeça nas coisas do Senhor, o meu grupo irá ficar zangado. Talvez irá pedir para que eu renuncie’. Vocês entendem o que eu digo? São pessoas muito boas, mas estão influenciadas pela política.

Eu conversava com um homem, certa vez, e, enquanto conversávamos, ele entendeu o que eu estava querendo dizer. E, quando terminei, ele falou o seguinte: ‘Sim, senhor Sparks, o senhor está muito correto. Concordo plenamente com o senhor. Mas, se eu tomar esse caminho que o senhor está seguindo, irei ofender todos os meus amigos. E, na minha obra para Deus, as pessoas irão parar de contribuir financeiramente. Assim, preciso pensar no meu pessoal e na minha obra para o Senhor’. São pessoas muito boas, muito devotas. Não há dúvida de que amam o Senhor, mas você percebe nelas algumas reservas. É dito sobre Calebe, no Velho Testamento, que ele possuía outro espírito, e ele seguia inteiramente ao Senhor. Somente ele e Josué, de toda aquela geração, entrou no reino. É isto o que queremos dizer com COMPREENSÃO ESPIRITUAL.

Eu digo a vocês: ‘VOCÊS COMPREENDERAM TODAS ESTAS COISAS?’ Tenho muito mais a dizer para vocês sobre compreensão espiritual. Mas, oh, quão importante é que tenhamos olhos para ver, ver por detrás das coisas que são faladas e feitas, ver o significado do Senhor. Algumas pessoas apenas ouvem as Palavras do Senhor, e observam as Suas obras, mas não compreendem o significado. E perdem muita coisa. Peçam ao Senhor que dê a vocês compreensão espiritual. E, se vocês não entendem, não digam, ‘Eu não entendo’. Vão ao Senhor e digam: ‘Senhor, faça-me compreender. Abra os olhos do meu coração’. Isso irá mostrar que vocês querem se envolver com o Senhor, e o Senhor irá se envolver com vocês.  

Reunião 7 – A Igreja é Cristo Coletivo

Sétima Reunião
(6 de Fevereiro de  1964 A.M.)

Ler: João 4:19-23; Êxodo 25:8:

"A mulher disse para Ele, Senhor, vejo que és profeta. Nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. Jesus disse a ela: Mulher, creia-me, a hora vem em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis ao Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós sabemos o que adoramos, pois a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade, pois o Pai procura os tais que assim o adorem".  

"deixai que façam para Mim um santuário, para que eu possa habitar entre eles".

No Evangelho de João, capítulo 1:14:

"E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, (e vimos a sua glória como a glória do Unigênito do Pai) cheio de graça e de verdade".

Nós estamos buscando penetrar por trás de tudo isso que o cristianismo tem se tornado, tentando alcançar o seu princípio fundamental. Penso que todos nós reconhecemos que o cristianismo tem se tornado um grande sistema. Logo após os Apóstolos terem partido para o Senhor, os homens começaram a colocar suas mãos no cristianismo. Transformaram as verdades do cristianismo num sistema de credos. Transformaram o testemunho do cristianismo num ritual. De uma forma ou de outra o homem sempre precisa colocar as suas mãos nas coisas. A partir do dia em que Adão colocou a sua mão na árvore do conhecimento do bem e do mal, os homens também tiveram desejo de colocar as suas mãos nas coisas de Deus. Isto é, têm desejado trazer as coisas de Deus para debaixo do seu próprio controle. Nós usamos as mãos para exercer controle sobre as coisas.

Mas, quando se trata das coisas de Deus, este é um uso errado que fazemos delas. Mas o homem sempre tem feito isso. Os filisteus colocaram suas mãos na arca e trouxeram resultados desastrosos para si mesmos. Uzá, nos dias de Davi, colocou a mão na arca, e o Senhor feriu-o de morte. E tudo se transformou em confusão em Israel. Todo o progresso em direção ao propósito de Deus ficou paralisado. Até mesmo Davi ficou zangado com o Senhor. E tudo porque o homem havia colocado a mão nas coisas de Deus. Sempre foi assim. E isso também acontece no cristianismo.

O cristianismo surgiu de uma maneira muito simples, bonita e viva. Tudo se dava na vida e na liberdade do Espírito. Enquanto o Espírito mantinha as Suas mãos nas coisas, tudo estava bem. Mas os homens entraram e se apossaram do cristianismo, e o resultado é isso que temos hoje. Não há lugar onde haja mais confusão do que no cristianismo. O testemunho do Senhor está preso. Está limitado por causa das mãos do homem. O homem tem trazido o cristianismo sob seu controle. Isto é algo perigoso e desastroso. A atitude do Senhor é a seguinte: ‘Eu irei tirar as minhas mãos até que vocês retirem as suas. Enquanto as suas mãos estiverem sobre as minhas coisas, Eu irei deixar tudo com vocês’. E as coisas vão de mal a pior. Acho que todos nós reconhecemos isto. Quanto mais o homem colocar as suas mãos nas coisas de Deus, mais confusão haverá. Quando o homem traz as coisas de Deus sob seu controle, dominando-as, isto significa problema. Este é o motivo do por que de Deus frequentemente enfraquecer o homem, fazendo-o reconhecer suas próprias fraquezas. Paulo, o apóstolo, era um homem forte, naturalmente falando. E, na condição de Saulo de Tarso, ele colocou as suas mãos nas coisas de Deus. E, então, o Senhor o encontrou e o esmagou. E, no final, o apóstolo disse: "eu me gloriarei nas minhas enfermidades e nas minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse sobre mim".

Vamos tomar nota dessas coisas enquanto avançamos. Eu não estou preocupado em dar a vocês um monte de ensino. Não me importa quanto ou quão pouco eu dê a vocês. O importante é que vocês retenham cada pequena coisa. E, o que acabei de falar é algo muito importante. Deixem-me dizer aos meus irmãos, e irmãs, tomem cuidado na forma como vocês colocam as mãos nas coisas divinas. Cuidado para não controlar as coisas do Espírito; pode ser que o Senhor os esmague se fizerem isso. Se vocês fizerem isso, apenas irão trazer confusão para a igreja. Toda esta tremenda confusão existe no cristianismo porque o homem tem colocado as mãos nas coisas divinas. Isto traz as coisas divinas para dentro do compasso da própria mente humana, a qual diz: ‘É assim que a coisa deve ser feita. É isto o que devemos fazer, e é isto o que não devemos fazer’.

Agora, como frequentemente temos falado: Pedro começou fazendo isso quando o Senhor mostrou que ele devia ir à casa de Cornélio, um gentio. Pedro sempre adotou a posição de que os judeus não tinham nada a ver com os gentios. Quando o Espírito falou a Pedro para ir à casa de um gentio, ele respondeu: "não, Senhor"; ele colocou a sua mão e disse: "O Senhor está errado, e eu certo; o Senhor deve se alinhar à minha compreensão do Velho Testamento". Este foi um dia bem crítico para Pedro. E foi um dia bem crítico para a Igreja. Quando Pedro tirou as suas mãos, então este foi um maravilhoso dia para a Igreja.

Assim, precisamos voltar ao cristianismo original, deixando de lado todo esse sistema da forma como o conhecemos. Precisamos chegar ao primeiro princípio espiritual de Jesus Cristo. Dissemos ontem que esta passagem no Evangelho de João, capítulo quatro, versículo vinte e três, nos leva exatamente para o princípio. É o início de uma nova dispensação. Jesus disse à mulher: "a hora vem, e agora é". Então, Ele aboliu todo aquele sistema que tinha existido até aquele momento. Era todo o sistema de judaísmo segundo o Velho Testamento. Em certo sentido, Ele acabou com toda uma dispensação. Ele introduziu uma ordem de coisas completamente nova.

O que Ele quis dizer? Porque quando Ele disse que a hora vem, e já é, Ele não quis significar literalmente apenas uma hora e alguns minutos. Ele quis dizer que aquela era a primeira hora de um novo dia. Com esta hora, um dia completamente novo se inicia. Qual é o novo dia? Se vocês fossem pedir a Jesus para resumir a frase, Ele diria: "Bem, Eu estou aqui". A hora não é apenas uma questão de tempo, mas de PESSOA. A nova dispensação é a dispensação de Jesus Cristo. Cristo é a nova dispensação. Eu estou aqui, Ele diria. Leiam o Evangelho de João. Jesus centraliza tudo em Si mesmo. Eu sou o Caminho; Eu sou a Verdade; Eu sou a Vida; eu sou o Pastor; Eu sou a Videira; Eu sou a Ressurreição. É UMA PESSOA. É isto que está por trás de tudo. O cristianismo é Cristo. Cristo é o cristianismo. É nele onde tudo começa e jamais se aparta. O desenvolvimento da vida cristã é o desenvolvimento de Jesus Cristo na vida.

Agora, neste quarto capítulo de João, o ponto focal é a Casa de Deus.  A mulher disse: "Nossos pais adoraram neste monte". Ela estava se referindo ao monte Gerizim, onde os samaritanos adoravam. Nossos pais diziam: 'Este é o lugar onde os homens devem encontrar Deus’. Mas os judeus diziam: ‘É no templo em Jerusalém’. Todos os judeus diziam: ‘Se você quiser encontrar Deus, precisa ir ao templo em Jerusalém’. Assim, esta era a ideia deles a respeito da Casa de Deus. Mas Jesus coloca da seguinte maneira, em relação a esta nova dispensação. Ele diz: ‘A hora vem, e agora é’, quando nem em Samaria, nem em Jerusalém’.

Agora chegamos a estas duas passagens que lemos no início. Êxodo vinte e cinco, versículo oito, diz: "E me farão um santuário, para que eu habite no meio deles". Isto nos mostra a grande verdade de toda a Bíblia. Verdade esta que inicia a Bíblia e a termina. A Bíblia toda está tomada por esta única questão. No começo da Bíblia vemos Deus habitando com os homens. O Senhor Deus vinha ao jardim. Isto mostra que o grande desejo de Deus é estar com os homens. Ele criou os homens exatamente para este propósito: Para que pudesse habitar com eles. Não ser um Deus distante em algum lugar que você não conhece, mas um Deus que desce e habita com os homens. Isto é algo que sempre esteve no coração de Deus. De modo que, a única coisa que temos ao longo de toda a história é esse desejo de Deus de estar presente com os homens.

A Bíblia mostra que é uma coisa maravilhosa estar na presença de Deus. Oh, quando o Senhor está presente, que coisa abençoada é. E a coisa mais terrível que a Bíblia mostra é quando o Senhor tem que se retirar do meio dos homens. Espero que todos nós aqui saibamos algo a respeito disso. Quero dizer que a coisa mais difícil em nossa experiência é não sentir a presença do Senhor. Quando temos um dia em que parece que o Senhor está longe, este é um dia muito difícil. Quando temos um dia em que percebemos a presença do Senhor, este é o melhor dia da nossa vida. Vocês se lembram do que disse um servo do Senhor do passado: "Se a Tua presença não for comigo, não nos faça subir deste lugar". Ele não podia imaginar-se indo sem Deus. O Senhor diz: "A minha presença irá contigo, para te fazer descansar". E assim eles puderam ir.

A presença do Senhor é sempre a coisa mais importante.  Não anotem isso, pois irei falar muito sobre isso agora. Quando o Senhor disse a Moisés: "E me farão um santuário, para que Eu habite entre eles", Ele estava, naturalmente, fazendo referência ao tabernáculo no deserto. E, então, Deus lhes deu o modelo de todas as coisas a respeito do tabernáculo. Quando todas as coisas estavam em conformidade com o modelo, Deus desceu e encheu o tabernáculo. Ele se PRESENCIOU no meio do povo.

Agora vamos para João capítulo um, versículo catorze. Aqui vai um pequeno estudo bíblico para vocês. Vejam se vocês conseguem rastrear no Evangelho de João quantas alusões há ao Velho Testamento. João era judeu e ele estava cheio do Velho Testamento. E, sempre que escrevia, ele trazia algo do Velho Testamento. Este é um estudo muito rico e proveitoso. Eu vou apenas deixar isto com vocês para o momento. Ele começa o seu Evangelho com "No princípio era o Verbo. E o Verbo se fez carne". Observem a palavra que ele usa. "O VERBO SE FEZ CARNE E SE TABERNACULOU ENTRE NÓS". Esta é a palavra original, Ele se fez tabernáculo entre nós. Em sua mente João estava associando Jesus ao tabernáculo do deserto. E ele está dizendo que, assim como Deus veio e habitou entre os homens no tabernáculo do deserto, assim também DEUS SE TABERNACULOU ENTRE OS HOMENS EM SEU FILHO JESUS CRISTO. Qual é o Tabernáculo de Deus nesta dispensação? É o Seu Filho. Qual é a Casa de Deus? É Jesus Cristo. O que é a Igreja? Fico imaginando o que vocês colocariam no papel se alguém lhes fizesse esta pergunta. Se eu tivesse que pedir a vocês para escrever num papel a resposta à pergunta: "O que é Igreja?" Fico imaginando o que eu obteria como resposta. Tenho certeza que alguém iria me dar um maravilhoso sistema de verdades da Igreja. Uma maravilhosa ordem de prática da Igreja. A resposta é simples. A Igreja é Jesus Cristo; nada mais e nada menos do que isso. Se Cristo está num determinado número de pessoas, é Ele quem forma a Igreja. É Cristo em nós que faz a Igreja, não a nossa doutrina, não a nossa prática, não a maneira como agimos quando estamos juntos: mas acima de tudo, é a presença do Senhor. A presença do Senhor naqueles que estão reunidos, é isto que constitui a Igreja.

Mas, observem, eu estou pensando na Igreja Universal, no mundo inteiro. Não existe geografia na Igreja. Vocês compreendem isto? Não é neste monte, nem em Jerusalém. Não existe geografia na Igreja. Não existe tempo na Igreja. Nós estamos aqui e são quase nove horas da manhã. Na Inglaterra são oito horas mais cedo. Tirem oito de nove e vocês terão um. É quase meia noite naquele país. Vocês vão mais para o oeste e fica ainda mais cedo. Mas não existe isso na Igreja. O Senhor nunca dorme. Trevas e luz são a mesma coisa para Ele. Não há dia nem noite no céu. Para Ele o tempo não existe. Fico muito feliz com isso. Bem, vamos parar por aqui por ora. Podemos mostrar isto novamente num outro momento, em alguma conexão particular.

Gostaria que vocês voltassem a isto. Cristo é o mesmo em todos os tempos e em todos os lugares. Portanto, a Igreja também é a mesma. A Igreja não é americana, nem britânica, nem chinesa, nem filipina, etc. O Senhor não se importa com isso. Tudo o que importa para o Senhor é que Ele tenha um lugar no coração, e não interessa onde esse coração possa estar em todo o mundo, ou que horas são. A Igreja toma o seu caráter de Cristo. A IGREJA É CRISTO COLETIVO. CRISTO COLETIVO É A IGREJA. Você tem que provar que Cristo não está em mim, para poder dizer que eu não estou na Igreja. E você não tem qualquer direito de dizer para alguém que tenha Cristo morando nela, que ela não pertence à Igreja. Vocês compreendem? Vocês concordam? Nós estamos voltando do cristianismo para Cristo. Retornando daquilo que os homens chamam de Igreja para Cristo.

Agora, tendo falado sobre a Igreja, vamos falar das igrejas. O que são igrejas? Aqui nós temos que refletir mais, e fazer alguns grandes ajustes. Vocês sabiam que muitas pessoas acham que os apóstolos tinham a ideia de que eles precisavam sair às nações, a fim de formar igrejas? Muitas pessoas creem, por exemplo, que o negócio do apóstolo Paulo era sair e formar igrejas em toda parte. Pensam que o real objetivo de Paulo era entrar na Ásia, em Bitínia e na Galácia e formar igrejas?  A ideia dessas pessoas é que devemos ter uma igreja em cada lugar. Vocês creem assim? Se pensam desta maneira, então estão equivocados. Reflitam seriamente sobre isto. Porque isto irá revolucionar toda a nossa maneira de pensar.

O que Paulo e os apóstolos criam ser a obra deles? Certamente não era criar igrejas. Eles criam que a obra era levar Cristo a todos os lugares. Poderiam vocês me mostrar onde, no Novo Testamento, vocês têm algum apóstolo chegando a determinado lugar dizendo: "Nós vimos aqui para formar uma igreja. O Senhor nos enviou aqui para formar uma igreja'. Vocês precisarão gastar um bom tempo tentando encontrar isso no Novo Testamento. Mas não existe. E há muitas outras coisas que não estão no Novo Testamento, as quais achamos que estão. Coisas que ensinamos como estando lá, mas que não estão, absolutamente. Voltemos ao Evangelho: "E Jesus enviou os seus apóstolos de dois em dois". E está escrito: "Ele os enviou para todos os lugares, onde Ele mesmo não havia ido". O Senhor jamais mudou este princípio. Ele não nos envia para formar igrejas ou estabelecer cristianismo. Ele nos envia para que levemos a Sua Pessoa. Isto não significa que as igrejas não têm valor. Mas isto nos faz ir diretamente ao ponto. O que são igrejas? São apenas pessoas reunidas em Cristo onde Ele se faz presente. Este é o propósito eterno de Deus, a Presença do Senhor. Este é o propósito de tudo o que é chamado de igreja. É o único Propósito.

Vocês se lembram que no Velho Testamento havia o tabernáculo ou o templo. E, quando o Senhor se retirou do templo, ele deixou de ser sagrado. Não importava mais a Deus onde o templo pudesse estar ou não. Era apenas uma concha vazia. O Senhor não está nem um pouco interessado nisso. É o que Jesus quis significar quando disse: "Eis que a vossa casa ficará deserta. O dia vem em que não ficará pedra sobre pedra". Isto é o quão sagrado a coisa é para Deus quando a Sua presença vai embora. Não é diferente de nenhum outro pedaço de pedra. É isto que o Senhor quis dizer quando falou às igrejas da Ásia: 'Conheço todas as tuas obras e o teu trabalho. Conheço a tua doutrina cristã. Conheço todas as tuas obras. Arrepende-te, pois, e pratica as primeiras obras; senão virei a ti e tirarei do seu lugar o teu candeeiro'. A coisa perde completamente o seu sentido e propósito quando as primeiras coisas se vão.  

Quais são as primeiras coisas? Não é ensino nem doutrina. Não são práticas cristãs. Não é reunião. É a presença do Senhor. A primeira coisa era, quando as pessoas vinham de fora e diziam: "Deus está no meio de vós". Está escrito que as pessoas que vinham de fora se prostravam e diziam: "DEUS ESTÁ NO MEIO DE VÓS". Voltemos ao Velho Testamento quando o Senhor enchia o tabernáculo e o templo. Está escrito que até mesmo o sacerdote tinha que sair. Não conseguiam permanecer na Presença do Senhor. Eles não passavam de homens. Eram pecadores. E o homem, na condição de homem, não tem lugar na Presença do Senhor. Oh, que coisa é esta na qual os homens transformaram o cristianismo. No cristianismo, o homem se tornou o centro. Algumas vezes vou a certos lugares. Sou apresentado à congregação. A pessoa que me apresenta diz: "Sr. Austin-Sparks, o grande mestre da Bíblia da Europa". E muitas outras coisas. Meu coração se entristece; fico mal. Sou obrigado a me levantar e dizer: "Não levem nada disso a sério. Eu não sou ninguém. O Senhor é tudo". O homem não tem lugar na Casa de Deus. Nós entramos na Casa de Deus com a nossa própria importância, com a nossa própria força, colocando nossas mãos, nossas mentes, nossas vontades, nas coisas. Estamos mudando toda a natureza da Casa de Deus. O Senhor fica limitado. De fato, Ele fica sem espaço para caminhar. Este Jesus, que é a própria presença de Deus, diz: "eu sou manso e humilde de coração".

Assim, termino com esta nota. Disse que estamos aqui a fim de obtermos instrução sobre o fundamento. Estou tentando ser bem leal com vocês. O dia está chegando quando tudo será sacudido a partir do céu. O cristianismo sofreu um terrível abalo na China. E agora o sistema do cristianismo está praticamente desaparecido. E a única coisa verdadeira que resta é o que ficou da parte do Senhor no coração dos homens e das mulheres. Este tipo de abalo está acontecendo em todo o mundo. A Bíblia diz que será desta forma. O cristianismo irá sofrer um terrível abalo. E somente o que houver da Presença do Senhor irá permanecer. Talvez a reunião se torne impossível. Talvez a comunhão cristã se torne extremamente difícil. Talvez a pregação da Palavra seja suspensa. Talvez todas as exterioridades simplesmente desapareçam. E, então, a única coisa será: nós temos o Senhor? O Senhor está conosco? Estejam certos! Isto é algo que o Senhor fará acontecer. Ele muito frequentemente faz isto com as pessoas. Se a nossa vida cristã está baseada em coisas exteriores, o Senhor irá tirá-las de nós. Ele geralmente faz isso. E, então, a grande questão é, quanto do Senhor nós temos? Esta é a última coisa, mas na verdade é a primeira. Lembrem-se, caros amigos, de que O TESTE PARA CADA IGREJA É A PRESENÇA DO SENHOR. E não se ela está aqui ou ali; e não se a coisa é feita desta ou daquela maneira. Mas simplesmente quanto do Senhor nós encontramos lá. Quanto do Senhor os homens encontram lá. E ter o Senhor numa escala maior significa ter homens numa escala menor.

Reunião 8 - "Vocês Compreenderam Todas Essas Coisas?"

Oitava Reunião
(6 de Fevereiro de 1964 P.M.)

Vamos ler novamente o Evangelho de Mateus, capítulo treze, do versículo um ao três:

"Tendo Jesus saído de casa, naquele dia, estava assentado junto ao mar; e ajuntou-se muita gente ao pé dele, de sorte que, entrando num barco, se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia. E falou-lhe de muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear". 

E os versículos cinquenta e um e cinquenta e dois:

"E disse-lhes Jesus: Entendestes todas estas coisas? Disseram-lhe eles: Sim, Senhor. E ele disse-lhes: Por isso, todo o escriba instruído acerca do reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas". 

Quando lemos estas parábolas do reino dadas pelo Senhor Jesus e muitas outras coisas que Ele ensinou, corremos o perigo de olhar para elas como algo em si mesmas. Por exemplo, tomamos as parábolas de Jesus e as ensinamos para as crianças na escola dominical apenas como histórias contadas por Jesus, e, talvez, seja esta a maneira como nós mesmos as tenhamos lido. São histórias muito interessantes.  

Em Mateus treze há sete delas. Sete histórias muito interessantes, e em outras partes dos Evangelhos, há muito mais. Todos nós estamos familiarizados com as três histórias do capítulo quinze de Lucas. A história das noventa e nove ovelhas e uma que se desgarrou. É uma história muito interessante. Temos ouvido muitos sermãos sobre isto. E também a história da mulher que tinha um colar com dez peças de pratas sobre ele. Foi dado a ela pelo seu marido, quando se casaram. E, um dia, uma daquelas peças caiu do colar. Ela acendeu a lamparina e varreu a casa, a fim de encontrá-la – é uma história muito interessante. E também a história do filho pródigo, que todos conhecem. E assim com todos os ensinos de Jesus, nós os lemos como se fossem algo em si mesmos, e nos esquecemos da coisa mais importante de todas.  

O ensino de Jesus foi dado num dia de muita crise, talvez a maior crise da história deste mundo. E esta crise se estenderá até o dia que Jesus voltar novamente. Será a maior crise de todas, mas Jesus estava dando o Seu ensino num dia de grande crise. A crise era a seguinte: tinha havido um povo neste mundo que tinha sido o centro de todas as coisas por milhares de anos. Este povo tinha sido o centro do interesse de Deus neste mundo. Todas as outras nações do mundo ficavam assistindo este povo. Havia um sentido no qual esta nação era o centro de todas as demais nações. O que acontecia a esta nação afetava todas as demais. Deus havia escolhido esta nação.

Deus havia revelado a Sua própria Pessoa a ela. Deus havia dado a ela toda aquela maravilhosa verdade que está no Velho Testamento. Deus levantou os maiores líderes da história para conduzir esta nação. Ele deu a ela os maiores profetas que os homens já tiveram. Deu a ela os maiores reis que as nações já tiveram. Quantas coisas Deus fez para a nação de Israel! A partir do dia em que Ele colocou a Sua mão sobre Abraão, na terra de Ur dos Caldeus, e disse a ele: "Farei de ti uma grande nação.... e em tua semente todas as nações da terra serão abençoadas" (Gen. 12:2, 22:18). Que maravilhosa história foi esta desde aquele dia até o dia em que Jesus Cristo veio a este mundo.  

E agora, com a vinda de Jesus Cristo, tudo isto acaba; esta nação é colocada de lado por Deus. Deus rejeita a Israel. Não irá demorar muito agora para que Israel deixe de ser nação. A cidade será destruída. O grande templo será derrubado. Os sacerdotes serão mortos e espalhados. E, desde aquele dia até hoje, eles não terão uma cidade, nem rei, nem templo. Nem sacerdote, nem altar, nem sacrifício. Tudo isso aconteceu, e Jesus sabia que tudo isso iria acontecer. E todas estas parábolas foram profetizadas em relação a isto, e Jesus as estava dando a eles em conexão a esta grande crise. Ele estava dizendo: 'O fim de toda a história de vocês está chegando. Tudo aquilo que constituiu a vida de vocês será trazido a um final, e uma ordem completamente nova de coisas será trazido para ocupar o seu lugar'.

Assim, as parábolas, as chamadas parábolas do reino, faziam referência à passagem de um reino e o surgimento de outro, a fim de que tomasse o seu lugar. Com a passagem daquele reino e a destruição de tudo que nele havia, João, o Batista, entrou em cena, uma voz clamando no deserto, uma grande multidão saindo para ouvir o que ele tinha para dizer, e o que ele disse? "Arrependei-vos, pois o reino dos céus está próximo" (Mat. 3:2). Esta foi a mensagem do precursor de Cristo. Quando Jesus saiu do Jordão, tendo sido batizado, e começou a pregar, Ele disse a mesma coisa. Disse: "O Reino dos Céus está próximo". E esta foi a mensagem dos apóstolos. Quando Jesus estava prestes a deixar este mundo e voltar para o Pai, Ele falou a Seus discípulos após a Sua ressurreição, e é dito que Ele lhes falava acerca das coisas do Reino. No dia de Pentecoste, a grande mensagem era a mensagem do Reino. E, quando os apóstolos saíram por todo o mundo, eles saíram pregando o Reino. Quando o Apóstolo Paulo estava no final de sua vida, na prisão em Roma, muitas pessoas vinham vê-lo em sua prisão domiciliar, e é dito que ele lhes falava acerca do Reino.  

Ao final daquela grande carta aos Hebreus, tudo é reunido em torno disso. Tudo que o escritor escreveu nesta maravilhosa carta está resumido na seguinte declaração: "Recebendo, pois, um Reino que não pode ser abalado". O tempo literal da palavra é: "Estando, pois, em processo de receber um Reino, o qual não pode ser abalado". E o grande e triunfante grito no final da Bíblia, no Livro de Apocalipse, é, quando toda a história for contada, então, sairá o grito: "Agora é chegado o Reino do nosso Deus e de Seu Cristo". (Apoc. 12:10). Vejam quão grande é, e quão grande destaque esta questão do Reino tem na Palavra de Deus. Quão grande coisa é estar no Reino de Deus. E quão terrível será perder o Reino de Deus.

Israel, como nação, perdeu o Reino de Deus. Jesus disse uma coisa muito terrível sobre eles, que os filhos do Reino seriam lançados nas trevas exteriores. Lá haveria choro e ranger de dentes. Eu pergunto a vocês, não é isto verdade em relação aos últimos dois mil anos, no que concerne a Israel? Israel tem estado nas trevas exteriores por dois mil anos. A história de Israel neste período de tempo tem sido de choro, pranto e ranger de dentes. Nós conhecemos as terríveis histórias sobre Israel até tempos recentes. Oh! Como Israel é odiado. A cidade deles está dividida em dois, e, de um lado de sua própria cidade está um povo que os odeia e os quer destruir. Tudo isto porque eles perderam o Reino de Deus. É algo terrível perder o Reino de Deus. Mas, por outro lado, é uma coisa maravilhosa estar nele. Voltemos para onde começamos na última noite. Quero relembrá-los sobre o que falamos, então: Se o Reino de Deus é algo muito grande e importante, se é algo terrível perdê-lo, e se é algo glorioso estar nele, então deve haver um segredo para entrar nele. Observem como essas duas coisas estão sempre colocadas juntas pelo Senhor Jesus. Aqui está Reino de Deus; e a maneira de se entrar nele é através DA COMPREENSÃO ESPIRITUAL. Por não ter compreensão espiritual, Israel perdeu o Reino. Eles poderiam ter adquirido tal compreensão. Não foi porque isto era algo impossível de se ter; eles a poderiam ter tido da mesma forma como quaisquer outras pessoas, mas eles foram descrentes e desobedientes. E por causa da sua desobediência e descrença, seus olhos espirituais foram fechados e não puderam ver. Perderam o Reino porque não puderam ver.

Agora, guardem isto em suas cabeças por uns minutos. Jesus falou essas parábolas, todas as sete, e, então, desafiou os Seus discípulos: "Vocês compreenderam estas coisas?" Tudo em relação ao Reino depende disto: da COMPREENSÃO ESPIRITUAL. 

Vamos avançar mais, para uma parte muito familiar da Palavra de Deus. O Evangelho de João, capítulo três. Vocês sabem que é algo bem conveniente ter o Novo Testamento dividido em capítulos. Contudo, algumas vezes, é algo bastante lamentável, e aqui temos um exemplo disso. Na verdade o capítulo três deveria começar no versículo vinte e três do capítulo dois. Fico feliz em ver que vocês estão com suas bíblias, isto me ajuda bastante. Vejamos o versículo vinte e três do capítulo dois: "Quando Ele estava em Jerusalém por ocasião da páscoa, durante a festa, muitos creram nele, por causa dos sinais que Ele fizera". Antes de prosseguirmos, façamos uma pergunta: Vocês creem que aquela era uma fé verdadeira? Eles creram porque haviam visto os sinais. Será que isto é suficiente? Muito bem, vamos deixar isto por aqui.

Prossigamos. "Mas Jesus não confiava neles, porque conhecia bem os homens, e não precisava de que ninguém lhe desse testemunho sobre o homem; Ele bem sabia o que havia dentro dele". Agora observem: "Havia um homem dentre os fariseus chamado Nicodemos, principal dos judeus: o mesmo veio a Jesus à noite, e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus, pois ninguém pode fazer esses sinais se Deus não for com ele". Mas Jesus não confiou nele, pois sabia o que havia no homem. E o que Jesus falou? Jesus respondeu e disse: "Em verdade, em verdade te digo: se alguém não nascer de novo, não poderá ver o Reino de Deus".  

Agora vamos ver se Nicodemos estava vendo ou não. "Nicodemos disse a Jesus: Como pode um homem nascer de novo sendo velho? Poderá ele voltar à barriga de sua mãe e nascer de novo?" Jesus não respondeu a pergunta, nem deu qualquer explicação a Nicodemos. Ele não confiava nele. Jesus respondeu: "Em verdade, em verdade te digo: se alguém não nascer da água e do espírito, de modo algum poderá entrar no Reino de Deus. Aquele que é nascido da carne é carne; o que é nascido do Espírito é espírito" (João 3:4-6). Muito bem, agora, quem é Nicodemos? Ele é um representante de Israel. Na pessoa de Nicodemos, naquela noite todo o Israel estava ali representado. E, para todo o Israel, na pessoa de Nicodemos, Jesus disse: "Vocês não podem ver nem entrar. Carne e sangue não pode herdar o Reino dos Céus. Para ver e entrar no Reino, vocês precisam nascer do alto. Naturalmente, vocês são homens de carne. Somente pessoas espirituais podem entrar no reino espiritual. Somente pessoas espirituais podem ver o reino". E isto é verdade para Nicodemos.  

Quando Jesus disse essas coisas, Nicodemos respondeu: "Oh, como podem ser estas coisas? Eu não compreendo isto. Não entendo sobre o que você está falando". Jesus disse: "tu és Mestre em Israel e não compreendeis estas coisas?" Não havia nada em toda história e em todo o ensino de Israel por milhares de anos que Nicodemos não soubesse. Ele conhecia todo o Velho Testamento. Conhecia tudo o que Moisés havia ensinado e escrito. Conhecia tudo o que estava nos salmos. Conhecia tudo o que os profetas tinham escrito. Conhecia tudo. Vocês não poderiam ensinar nada da história e da doutrina de Israel a Nicodemos, contudo este homem era incapaz de ver o Reino dos Céus.  

Vamos parar aqui por um minuto. Esta é uma coisa muito solene. É algo que está por trás do motivo de eu estar aqui em Manila nestes dias. Não vim com a ideia de que eu pudesse dar a vocês algum novo ensinamento; mas sei que, não importa o que eu possa dizer, alguém aqui irá falar: "Nós já ouvimos isto antes". Alguém dirá: ‘Isto não é novidade’. Este não é o ponto, caros amigos. Há toda diferença do mundo entre conhecer tudo isso que aqui está, e enxergá-lo com os seus olhos espirituais. E eu digo que isto é algo muito solene. Uma das coisas mais trágicas e tristes que aconteceram na minha vida foi a seguinte: Conheci pessoas que vieram e aceitaram o ensinamento que podíamos dar, professando crer naquilo, e, inclusive, saíam pregando e ensinando em várias partes do mundo. E se vocês os tivessem visto e ouvido, teriam acreditado que eles conheciam a coisa toda, mas, então, eles se tornaram ativos em negar tudo. Repudiavam tudo por meio de suas condutas, comportamentos, e estilo de vida. Já vi isto acontecer mais de uma vez, e isto nos deixa a fazer grandes perguntas. Eles pareciam ter absorvido todo o ensino. Pareciam crer em tudo. Conversavam por toda parte com outras pessoas sobre o assunto. Mas, então, tomaram um curso na vida que negava a coisa toda. E toda a posição e ensino deles posteriormente passaram a ser uma contradição de tudo aquilo que eles professavam crer.  

Qual é o problema? Vocês apenas podem concluir que, após tudo, eles não enxergaram nada. Eles apenas enxergaram intelectualmente. Aceitaram com as suas mentes. Ensinaram com suas capacidades naturais. Mas jamais enxergaram de verdade. Vocês sabem, se você ouvir uma única vez a voz do Filho de Deus, você jamais será o mesmo novamente.  Muitas pessoas creram em Seu nome porque viram os sinais. Mas eram como Nicodemos. Apenas ensinaram o que haviam compreendido. Diziam que tinham compreendido, mas Jesus não confiava nelas. Ele sabia o que havia no homem.  

Vamos olhar para Nicodemos mais de perto. Ele é um homem intelectual. Possuidor de um ótimo cérebro, altamente educado, devotadamente religioso, mestre de outras pessoas, e muito mais que isso. Todos tinham a Nicodemos com um homem maravilhoso. Mas ele não enxergou o Reino de Deus. Não é uma questão de poder intelectual, absolutamente. Isto pode ser muito útil em outras áreas. Não é uma questão de educação. Não é uma questão de ser muito religioso. Nicodemos era tudo isso e muito mais. Quem é, pois, Nicodemos?  

Agora chegamos ao que Jesus falou a Nicodemos: "O vento sopra onde quer; ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai: assim é todo aquele que é nascido do Espírito". O que isto significa? O que isto significou para Nicodemos? O que isto significa para nós? Vocês já estiveram numa grande tempestade de vento, na terra ou no mar? Vocês já estiveram num furacão? Um daqueles bem terríveis? Quando o vento realmente assopra, o que você pode fazer a respeito? Você consegue resisti-lo? Pode você dizer: ‘Eu não serei movido por você?" Pode você dizer ao vento: ‘quem é você? Você não é nada`. O que vocês podem fazer a respeito? Vocês não podem fazer nada. Você fica completamente impotente. Simplesmente fica fraco diante do poder do vento. Você não é nada diante de uma poderosa tempestade. Qual é a única coisa que você pode fazer? Render-se, e dizer: ‘Não adianta, eu não posso fazer nada. Apenas posso deixar o vento seguir o seu caminho’.

Assim é todo aquele que é nascido do Espírito. O vento assopra onde quer. Você não pode dizer: ‘Hoje, vento, você assopra desta maneira; amanhã você vai assoprar de outra maneira’. O vento toma as coisas em suas próprias mãos e assopra onde quer. Você pode falar ao vento o quanto você quiser, mas ele não irá levá-lo em consideração. Assim é todo aquele que é nascido do Espírito. O que Nicodemos tinha que aprender? O que vocês e eu temos que aprender? Que o Espírito de Deus é o Espírito Soberano de Deus. E a única coisa a fazer é se deixar levar por Ele. Você jamais verá o Reino, ou entrará nele, se não se render à Soberania do Espírito Santo.  

Vou encerrar com este ponto. Vocês sabem que os discípulos eram homens que tinham muita autoconfiança. Quando Jesus lhes disse: ‘Todos vocês irão se escandalizar de Mim’. E a Pedro, "esta noite, antes que o gale cante, três vezes me negarás". Pedro se adiantou e disse: 'Ainda que todos se escandalizem de Ti, eu, porém, jamais me escandalizarei. Irei contigo até a morte'. Agora, observem o que o escritor colocou lá: "E todos os discípulos disseram o mesmo" (Mat. 26:31, 34, 35).

Eles todos eram pessoas com alto grau de autoconfiança. Criam que podiam fazer coisas maravilhosas. E, se foram colocados à prova, é porque podiam passar no teste. Mas olhem para a triste história; quando Jesus foi levado para a sala do julgamento, mesmo antes que o levassem para a sala do julgamento, no jardim, quando Judas o traiu e os soldados prenderam a Jesus, está escrito que todos o abandonaram, fugiram. E Jesus foi crucificado. Quão pobres eram aqueles homens.  

Nós ouvimos dois deles falando na Estrada de Emaús. E um estranho se aproxima deles e ouve o que eles estavam conversando, e diz: "Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós? E por que estais tristes?" E eles pararam, e olharam para Ele: "És tu apenas um visitante em Jerusalém? Tu não sabes o que tem acontecido lá por esses dias?" E Ele disse: "O quê?" E eles responderam: "As coisas acerca de Jesus de Nazaré; Ele era um profeta poderoso na Palavra e também diante de Deus. Esperávamos que fosse Ele quem redimisse a Israel, mas os nossos principais governantes o condenaram e o crucificaram!" Creio que esses dois homens representavam todos os demais.

O que aconteceu? Todas as expectativas deles haviam se perdido. Todas as esperanças que eles tinham foram desapontadas. Tudo aquilo que eles pensavam acreditar tinha se desmoronado. Nós dizemos: 'o fundo havia desaparecido'. Caros amigos, isto precisava acontecer. O Espírito Santo não poderia vir se isto não acontecesse. Até que esses homens tivessem perdido completamente toda a autoconfiança. Até que esses homens chegassem a ver que aquilo que estava em suas cabeças não estava em seus corações. Eles tinham ouvido com os seus ouvidos, e visto com os seus olhos, mas não tinham compreensão espiritual. Precisavam chegar a esta posição antes que o Espírito Santo pudesse vir.

Sempre tem que haver a devastação do homem natural, antes que o homem espiritual possa nascer. Antes de termos a compreensão espiritual que nos leva ao Reino, temos que ter o nosso próprio entendimento reduzido a nada. Muitos de vocês aqui esta noite estão pensando que só porque têm um bom cérebro, uma boa educação, e porque são muito religiosos, que isto seja uma garantia de que estão vendo o Reino. Vocês estão tendo uma grande ilusão. Somente o homem espiritual e a mulher espiritual podem ver e entrar no Reino de Deus. "Aquele que é nascido da carne é carne; mas o que é nascido do Espírito é espírito. Não vos maravilheis se eu vos disser: ‘Necessário vos é nascer de novo". O que é verdade em relação ao início da vida cristã, isto é, a entrada ao Reino, também o é em relação a todas as demais coisas no Reino quando estamos nele. Só podemos conhecer aquilo que está no Reino na medida em que crescemos espiritualmente. Muito frequentemente o nosso intelecto se atravessa na frente da vida espiritual, e, quando isto acontece, precisamos retornar ao longo do caminho e começar tudo novamente. Muitas vezes pensamos que sabemos mais do que realmente conhecemos. Somente uma vida no poder do Espírito consegue aprender as coisas do Reino.  

Eu vou parar por aqui. Disse a vocês que não iria dar nenhuma verdade nova, e alguns aqui poderiam dizer: ‘Nós sabemos de tudo isso’, mas de que maneira vocês conhecem? Vocês conhecem isto porque outras pessoas lhe falaram? Porque leram isto na Bíblia? Porque têm estudado isto do mesmo modo como têm estudado outras matérias? Ou, será que vocês podem dizer: ‘Verdadeiramente o Espírito de Deus tem me revelado aquilo que está neste livro?’ E, será que vocês podem ir mais longe e dizer: ‘O Espírito de Deus está continuamente revelando as coisas do Reino em meu coração?’ Agora, devo dizer a vocês algo muito importante: Nós estamos dentro de uma crise tão grande quanto aquela em que Israel estava nos dias de Jesus. Só Deus sabe o que está vindo a nós muito em breve. Podemos muitas vezes correr o risco de dizer: ‘Oh, isto pôde ter acontecido com eles, mas jamais irá acontecer conosco’. O que tem acontecido na China, naturalmente, não irá acontecer na Filipina. Tomo a liberdade de sugerir a vocês que isto já aconteceu uma vez na Filipina. Pode acontecer novamente. Pode acontecer em qualquer lugar do mundo.

Há uma grande inquietação em todas as nações. Os corações dos homens estão se enfraquecendo de temor. Tudo pode acontecer quase todo dia. Pode vir de maneira mais rápida do que vocês poderiam crer. Se todas as formas exteriores de cristianismo fossem removidas, o que sobraria para vocês? Se vocês não pudessem mais ter suas amáveis reuniões, nem desfrutar da maravilhosa comunhão espiritual, o que sobraria? Se vocês não pudessem mais ter professores, o que sobraria? Esta é a marca da crise. A crise é: o que temos em nossos corações? O que realmente tem sido revelado a nós pelo Espírito Santo? O que é que tanto tem se tornado parte de nossa vida que não podemos removê-lo sem que removamos também a nossa própria vida junto? O fim desta dispensação será marcado por uma crise como esta. E esta é a grande questão. Quanto temos recebido pelo Espírito Santo? "Vocês compreenderam todas essas coisas?" Assegurem-se de que realmente vocês possuem compreensão espiritual. 

 

Reunião 9 – Tem Isto Vindo do Céu Pelo Espírito de Deus?

Nona Reunião
(7 de Fevereiro de 1964 A.M.)

Pode haver uma ou duas pessoas que se ajuntaram a nós esta manhã que não estiveram conosco em outras manhãs esta semana. Por causa delas, e por causa de todos nós, preciso repetir aquilo com o qual estamos envolvidos até agora. Todos nós estamos cientes de que, durante séculos, o cristianismo tem se tornado um sistema de coisas que não havia no princípio. O cristianismo que conhecemos hoje é uma coisa muito complicada. As mãos dos homens têm manipulado as coisas de Deus, e os homens têm tentado construir a coisa conforme o seu próprio juízo. E, assim, temos toda confusão, divisões, e todas as complicações. É realmente difícil seguir o cristianismo. O cristianismo tem se tornado o seu próprio grande entrave.  Assim, o que estamos sendo conduzidos a fazer nestas manhãs é sair de todo esse acréscimo do cristianismo e redescobrir e redefinir os princípios básicos. Estamos apenas pedindo ao Senhor que nos traga uma definição clara daquelas coisas que são verdade para o cristianismo. Falamos muitas coisas nestas manhãs as quais não podemos repetir. E aqueles que se unem a nós pela primeira vez devem entender isto.

Vamos prosseguir esta manhã a partir de um ponto avançado. Posso lembrá-los de dois fragmentos da Escritura que estão embasando nossa consideração neste momento. Um no Velho Testamento, e outro no Novo. No Velho Testamento, o Livro de Êxodo, capítulo vinte e cinco, versículo oito: "E ME FARÃO UM SANTUÁRIO, E HABITAREI NO MEIO DELES". O outro está no Evangelho de João, capítulo um, versículo catorze: "E O VERBO SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS". Vimos que esta palavra ‘habitou’ no original é: "tabernaculou’. "O VERBO SE FEZ CARNE E SE TABERNACULOU ENTRE NÓS". Nestas duas passagens, temos o propósito eterno de Deus, primeiro colocado em tipo, e, então, colocado em realidade. Este propósito de Deus sempre foi que Ele pudesse habitar entre os homens. Vimos como, quando as coisas estavam conforme a Sua vontade no princípio, o Senhor Deus vinha ao jardim, e Se alegrava em habitar com o homem. E, então, Ele teve que se retirar. O desejo de Deus, por aquele tempo, ficou suspenso. Agora, no Livro de Êxodo, encontramos Deus retomando o Seu propósito e ordenando a eles que construíssem o tabernáculo, para que Ele pudesse habitar entre eles. Aquilo tudo era imperfeito. Nós não podemos dizer que Deus estava sempre alegre em estar entre o povo de Israel. Ainda havia algo que precisava ser feito para deixá-Lo completamente satisfeito. De modo que era apenas em tipo e em figura que Deus estava com eles. Mas, quando chegou o Seu Filho, Deus está em Cristo, e O FILHO DE DEUS SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS.  

É neste ponto que iremos retomar as coisas nesta manhã. Cristo, o Filho de Deus, é o Tabernáculo de Deus. Precisamos ser muito claros quanto a isto. O lugar da habitação de Deus agora e por toda a eternidade é em Seu Filho. A Pessoa é a residência de Deus, não em tipo, mas em realidade; não por um período de tempo, mas por toda a eternidade. Cristo é o Tabernáculo de Deus. Seu nome é Emanuel, "Deus conosco". Seu ministério era, e ainda é, o serviço do Tabernáculo. Seu sacrifício, Sua Cruz foi todo o sacrifício do Tabernáculo. Assim como havia uma porta exterior que dava para o Tabernáculo, assim Jesus é a porta. Ele, somente, é o Caminho para Deus. Assim como havia o grande altar do lado de dentro, próximo à porta, assim a Sua Cruz é o altar. Assim como havia uma bacia de bronze um pouco mais adiante, assim, através de Sua Cruz e pelo Seu Espírito, o Espírito de Vida, Ele nos lava para podermos entrar na presença de Deus. Essas coisas, e todas as demais, tinham a ver com uma única coisa: a presença de Deus com o homem. Tudo está relacionado a isto: o Senhor estando conosco.  

Agora, como Deus foi muito específico a respeito a cada detalhe do velho tabernáculo, assim Deus é muito específico para que tudo em Sua presença expresse a Cristo. Com Deus não há meras coisas. As coisas não são sagradas para Deus. Não importa o que sejam; não são sagradas para Deus se estiverem separadas de uma coisa. É nesta questão que precisamos mudar toda a nossa mentalidade.  

Percorram este país e esta cidade e vocês verão esses grandes edifícios religiosos com uma cruz no topo. E, quando as pessoas entram nesses prédios, elas se curvam; elas se mostram muito reverentes. E pensam tratar-se de um edifício sagrado. Se você interferir em alguma coisa lá, isto será chamado de sacrilégio. Para Deus tudo não passa de coisa sem sentido. Não significa absolutamente nada. A única coisa que importa para Deus não é o maravilhoso edifício e todas as coisas admiráveis dentro dele, e nem mesmo a cruz no topo. A única coisa que importa para Deus é se Ele está lá. Deus está, Ele mesmo, presente neste lugar? Para Deus, não faz diferença entre um lugar e outro, se não for o lugar de Sua presença.

Naturalmente, muitos dos senhores aqui esta manhã concordam com isto. Mas o que dizer sobre nós mesmos, pois ouvimos cristãos que chegam a reuniões como esta, falando que estão vindo à Casa de Deus. Talvez eles digam, quando estão vindo a este lugar de reunião: ‘Estou indo à casa de Deus’. E, quando oram, dizem: 'estamos muito felizes por estar na casa de Deus esta manhã; é uma coisa muito boa estar na casa do Senhor.' O que torna um lugar em casa de Deus? O que torna este lugar um lugar sagrado? Se ele é sagrado, então o que o torna sagrado? Não é a construção; este não é um edifício sagrado. Não é uma congregação reunida aqui. A única coisa que torna um lugar sagrado é a presença do Senhor. O Senhor não está interessado em nossos lugares, ou em nossas congregações; Ele está apenas interessado em poder encontrar um lugar para Ele próprio, onde Ele possa ter prazer em estar presente. Eu me pergunto: onde será que está o tabernáculo do deserto agora? Imagino que esteja enterrado em algum lugar no fundo da terra. Eu me pergunto: onde está o grande templo de Salomão agora? Acho que vocês iriam desperdiçar tempo tentando encontrá-lo. Deus enterrou essas coisas. Se elas fossem realmente sagradas, Deus as teria preservado. Mas não o fez. Quando o tabernáculo cessou em cumprir o seu real significado, deixou de ser sagrado para Deus.  

Quando o templo deixou de cumprir o seu real propósito, Deus apenas o deixou pra lá. E por várias vezes Ele permitiu que os pagãos viessem e o destruísse. O PROPÓSITO É A PRESENÇA DO SENHOR.

Agora, tudo isso soa muito elementar e simples, mas voltemos à primeira coisa. João começa dizendo: "No princípio, Deus," e não é Deus apenas no princípio, é Deus até o fim. Deus está somente onde Seu Filho está. Onde quer que Seu Filho esteja, Deus estará lá. Precisamos ser muito cuidadosos para não estabelecermos um falso terreno para a presença de Deus. Não é aqui ou ali, neste monte ou em Jerusalém, é onde Seu Filho está. E nós teremos que colocar todas as demais questões de lado e dizer: se o Senhor está com você, eu também estou. Mas, para que isso seja verdade, há duas coisas que são muito importantes.  

Estamos nos mantendo muito próximos ao princípio. Temos que voltar bem atrás, por trás deste cristianismo que conhecemos. Vocês sabem, o cristianismo que conhecemos não é aquele do princípio. Na verdade ele é completamente diferente daquele. Naturalmente, poderíamos gastar bastante tempo tentando mostrar quão diferente este nosso cristianismo é daquele. Mas isto será algo negativo. Queremos ficar com algo positivo.  

Agora, percebam, então, que a primeira coisa que se relaciona à presença de Deus é esta: Deus sempre começa com uma apresentação de Seu Filho. De alguma maneira, a revelação do Filho de Deus é a base sobre a qual Deus sempre começa. Se é no Velho Testamento, se é num tipo ou numa figura, quer os homens enxerguem e entendam, ou não, a revelação está sempre lá. Naturalmente, isto requer um estudo da Bíblia. Se vocês entenderem as obras de Deus na criação, como no livro de Gênesis, verão Jesus Cristo. Vocês verão em cada detalhe uma expressão de Deus em Cristo. Esta é uma coisa maravilhosa para aqueles que têm os seus olhos espirituais abertos. Está dito acerca do Filho de Deus: ‘que todas as coisas foram criadas por Ele, e por meio dele, e para Ele’.  

Agora, quando você cria algo, você pode ser um artista e pode estar pintando um quadro, você pode ser um escultor, e pode estar esculpindo uma estátua, ou pode ser qualquer outra coisa. Se você realmente é um artesão, se você não está fazendo coisas apenas por fazê-las, você coloca algo de si mesmo em sua obra. Quando as pessoas, mais tarde, olharem para a sua obra, elas dirão: ‘que homens ou mulheres maravilhosos foram estes’. As pessoas podem enxergar a sua mente nisto. Podem ver o seu coração. A coisa toda fala do criador. Você passa do objeto criado para a pessoa que o criou. Se o filho de Deus realmente criou todas as coisas, Ele não fez isto apenas de forma objetiva, mas Ele colocou algo de Si próprio em Sua obra. E, se vocês tiverem compreensão espiritual, irão enxergar mais do que uma simples criação. Vocês irão enxergar em tudo a Pessoa que o criou. Aí está, Deus apresentou o Seu Filho. É uma revelação do Filho de Deus. É aí que Deus começa. Este é o começo.  

Quando vocês chegarem a este assunto do tabernáculo, lembrem-se de que o homem nunca pensou nisto. Isto jamais passou por sua mente. Isto saiu da mente do próprio Deus. Foi Deus quem disse a Moisés: "Olha, faze tudo conforme o modelo que no monte se te mostrou" (Heb. 8:5). Deus possui apenas um único objetivo em Sua mente, e Ele opera todas as coisas visando este objetivo. O único objetivo que Deus possui em Sua mente é o Seu Filho. Assim, o TABERNÁCULO era uma representação em tipo do Filho de Deus em cada detalhe. Este foi outro começo de Deus. O começo foi a constituição da nação de Israel, um povo definitivo na terra.

Permitam-me apenas reenfatizar o seguinte: Com Deus tudo começa com a revelação de Seu Filho. Se fugirmos disto, Deus irá nos trazer de volta a ele. Isto é verdade em relação à salvação. Não há um começo real para a vida cristã sem que se enxergue Jesus Cristo como Filho de Deus. E isto é verdadeiro em relação a todo o progresso da vida cristã. Deus mantém verdadeiro todo o nosso progresso espiritual com a revelação de Jesus Cristo. E isto é verdade em relação a toda obra de Deus. Toda a obra de Deus tem que ser feita por meio do nosso enxergar a Pessoa de Jesus Cristo. O próprio Jesus viveu baseado nesse princípio. Ele disse: 'As obras que Eu faço, não as faço de Mim mesmo, mas aquilo que o Filho vê o Pai fazer, isto faz igualmente'. 'As palavras que eu falo, não as falo de Mim mesmo. O Pai faz as obras e é o Pai quem dá as palavras’ (João 5:10; 14:10). Jesus viveu a Sua vida com o Pai plenamente em vista. E Ele não falava nem fazia qualquer obra, a menos que o Pai falasse a Ele. E o que é verdade em relação ao Senhor Jesus também precisa ser verdade em relação a todos nós. Somente poderemos viver a vida cristã quando enxergarmos o Senhor Jesus.  

Retornemos ao tabernáculo; nós o usaremos como uma ilustração por um instante. O fato inclusivo sobre o tabernáculo é que ele não era uma coisa. Absolutamente, não era. Era um significado Divino. Este significado estava encoberto. Se outras pessoas que não pertencessem a Israel viessem e olhassem para o tabernáculo, elas teriam dito: ‘isto é algo muito esquisito; que espécie de coisa é esta?’ Mas a verdade estava lá dentro. A verdade era um mistério, e era preciso que os olhos do coração estivessem abertos, a fim de enxergar a verdade naquilo.

João, muitos anos após o Senhor Jesus ter subido aos céus, disse: "Ele se fez carne e se tabernaculou entre nós, (e vimos a Sua glória, como a do Unigênito do Pai), cheio de graça e de verdade". Ele apenas estava dizendo, em outras palavras: ‘Nós enxergamos o interior dEle. Enxergamos o significado Divino nEle’.

Quando Jesus esteve aqui na terra, Ele era o próprio tabernáculo de Deus. Ele era a própria habitação de Deus neste mundo. Mas o que os homens enxergavam? Bem, Isaías disse: "Quando olhávamos para Ele, nenhuma beleza havia para que pudéssemos desejá-Lo. Ele era desprezado e rejeitado pelos homens" (Isa. 53:2,3). Exatamente como os estrangeiros teriam dito a respeito do tabernáculo: ‘Não há beleza nele; está tudo coberto por estas peles; não vemos nele beleza alguma', da mesma forma eles teriam desprezado e rejeitado a Jesus. Mas João disse: "Eis que vimos a Sua glória, glória como a do unigênito do Pai". (João 1:14). João teve a visão interior de Jesus Cristo.  

Naturalmente, João não foi o único. O apóstolo Paulo fundamentou tudo sobre esta verdade. Toda a sua vida e ministério foi resultado do que ele disse: "Aprouve a Deus revelar Seu Filho em mim". (Gal. 1:15,16). O começo de Deus é sempre uma revelação de Jesus Cristo no coração, tanto em relação à vida, quanto ao serviço, e também para a Igreja. Jamais deveríamos fazer coisa alguma na obra de Deus, a menos que tenhamos recebido isso da Sua parte.

É por esta razão que as comissões geralmente são coisas muito perigosas. Reunimos certo número de pessoas. E por que as reunimos? Porque pensamos serem pessoas inteligentes. Talvez tenham sido bem sucedidas nos negócios. Talvez tenham influência neste mundo. E nós as reunimos, a fim de que considerem a obra do Senhor. Bem, não fiquem surpresos se a obra do Senhor prossiga de forma vagarosa. No Novo Testamento, ERA NAS REUNIÕES DE ORAÇÃO QUE SE ORIGINAVA TODA OBRA. Tenho muito que falar sobre isto mais tarde.

Voltemos ao início. Nada que seja de Deus, seja o que for, começa com o homem. Quando o tabernáculo foi construído, antes de tudo, o modelo veio do céu. Foi uma revelação de Jesus Cristo. O Senhor não disse: ‘Coloque este modelo nas mãos do povo e deixai-os prosseguir com a obra’. Está dito que o Espírito de Deus encheu dois homens, e foi por meio do Espírito de Deus enchendo esses dois homens que toda obra foi produzida. Eles foram ungidos pelo Espírito de Deus, e está escrito: ‘em todo tipo de obra`. Seja qual fosse o tipo da obra em relação ao tabernáculo, tudo veio através do Espírito de Deus. O próprio Jesus não começou a Sua grande obra até que fosse ungido pelo Espírito Santo. Está dito: "Deus o ungiu com o Espírito Santo". E, se Jesus, que nasceu do Espírito, e viveu uma vida perfeita até aos trinta anos de idade, se Ele precisou da unção para a obra de Deus, certamente nós também.

Há diferença entre nascer do Espírito e ser ungido pelo Espírito. Nascer do Espírito é ser trazido à nova vida, é ser transformado em filho de Deus, é entrar no Reino. Mas a unção tem a ver com a obra de Deus. Precisamos de unção para a obra de Deus. Aqueles dois homens, Bezaleel e Aoliabe, foram ungidos. É dito: "cheios com o Espírito para todo tipo de obra" (Êxodo 31:1-6).

O tabernáculo no deserto, quando foi terminado, foi a obra do Espírito Santo, passou do tipo ao antítipo, passou do tabernáculo no deserto para o Senhor Jesus, O VERDADEIRO TABERNÁCULO, e cada detalhe sobre Ele é obra do Espírito Santo. E o Senhor disse a Moisés: "Veja que façais tudo conforme o modelo que a ti foi mostrado no monte". Hoje Ele diz, particularmente sobre a obra de Deus: "Veja que façais todas as coisas de acordo com o Meu Filho". Cada detalhe tem que ser conforme Cristo.  

Percebam que Deus nunca deixou qualquer coisa à mercê da mente do homem. Era sabido que muitos tipos de coisas seriam requeridos. Ouro, para as coisas em ouro; prata, para as coisas em prata; as diferentes cores e diferentes tipos de tecidos. Ninguém jamais disse: ‘Se você tiver qualquer tipo de material, apenas traga-o e iremos aproveitá-lo’.  Nenhuma mulher chegou dizendo: ‘Tenho aqui alguns bons materiais, use isto na cortina’. Bezaleel e Aoliabe teriam dito: 'Mas esta não é a cor certa; isto é prata, e para este propósito eu preciso de ouro’. A ninguém era permitido vir e dizer: ‘eu tenho algo para este negócio, e estou preparado para doá-lo. Apenas tome-o e use'.

O Espírito de Deus dizia: isto pertence a Cristo? É algo que expresse a Cristo? Não é o que você pensa a respeito da obra de Deus. Não são suas ideias e julgamentos; não é da maneira como você faz as coisas no mundo. Mas é: veio isto do céu pelo Espírito de Deus? Você esperou em Deus, a fim de receber dEle? É assim que a coisa tem sido desde o princípio. É desta maneira que aconteceu no princípio de ATOS DOS APÓSTOLOS.

Temos tratado sobre um monte de inícios esta manhã. Não conseguimos chegar tão longe quanto esperávamos, mas realmente esperamos que vocês estejam enxergando muito mais do que aquilo que estamos dizendo. Tudo o que não é de Cristo irá se dissolver. Não se enganem. Toda esta estrutura de cristianismo irá ser provada de acordo com Cristo. O cristianismo será provado em relação a quão longe foi a obra do Espírito Santo de Deus de acordo com Cristo. E outra vez, diz o Senhor: "irei abalar não só a terra, mas também o céu". As coisas que podem ser abaladas serão removidas. As que não puderem ser abaladas, essas permanecerão. E o que é isto que permanece para sempre? Não é o tabernáculo no deserto, mas Jesus Cristo. TUDO e somente TUDO que é de Cristo irá permanecer.

  

Reunião 10 - Jesus Veio para Formar um Novo Israel Celestial

Décima Reunião
(7 de Fevereiro de 1964 P.M.)

Começamos a última noite salientando uma grande verdade: que todo o ensino e que toda a obra do Senhor Jesus quando Ele esteve na terra estava relacionado a uma das maiores crises da história. Tal crise foi a remoção de Israel como nação perante os olhos do Senhor por pelo menos toda esta dispensação. Esta crise já tinha começado quando Jesus iniciou o Seu ministério. E ela foi selada e estabelecida assim que Jesus terminou o Seu ministério. A nação de Israel, que tinha sido o lugar central no interesse de Deus neste mundo por muitas centenas de anos, estava, então, sendo colocada de lado. Os profetas tinham predito que isto iria acontecer. E realmente começou a acontecer quando Jesus iniciou o Seu ministério. Quando João, o batista, apareceu no deserto, e as multidões corriam até ele, ele viu que os fariseus e saduceus também estavam vindo. Eles eram os representantes de todo o Israel. E João lhes disse: "Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira vindoura? Produzi frutos dignos de arrependimento, e não presumais em vós mesmos: ‘temos por pai a Abraão’, pois até destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão". Esta é apenas outra maneira de dizer que aqueles filhos de Abraão foram rejeitados.  

É algo muito importante vocês lerem os quatro evangelhos. Tudo o que está nos quatro evangelhos se refere a esta grande crise. Por um lado, houve a rejeição e a remoção de um povo que tinha sido chamado de povo de Deus por muitos séculos. Como dissemos na última noite, é isto o que Israel foi durante todos esses quase dois mil anos. Mas este é apenas um lado da história. Jesus tinha vindo para fazer algo novo. E, por meio do Seu ensino e obras, Ele mostrou qual era esta coisa nova. E este algo novo tem atravessado todos esses dois mil anos. E continua hoje. Continua aqui mesmo neste exato lugar. Aquilo que Jesus começou a fazer – e ainda continua fazendo – foi e é a formação de um novo e celestial Israel. Embora a nação que recebeu este nome tivesse sido removida perante os olhos de Deus, Deus, porém, jamais abandona o Seu propósito. E Jesus veio para assumir este pensamento de Deus a respeito do novo Israel. Se vocês lerem cuidadosamente os evangelhos, irão ver que Jesus assumiu tudo o que era de Deus no velho Israel, e o trouxe de um modo espiritual para o novo Israel. Por exemplo, o velho Israel era o reino de Deus neste mundo. Entre os reinos deste mundo, Israel era o reino de Deus. Isto acabou para Israel.

Mas a ideia de reino é introduzida novamente com Jesus Cristo de uma maneira nova. Jesus disse a Israel: "O reino dos céus será tirado de vós, e dado a um povo que dê os seus frutos". Assim, as primeiras palavras de Jesus, quando começou a pregar, foram: "O Reino dos Céus está próximo". Este é um novo Reino que Ele está edificando. Este reino é um Reino espiritual e celestial. Jesus disse: "Meu reino não é deste mundo". Mas isto não torna este Reino menos real. Na verdade, este REINO ESPIRITUAL é muito mais real do que o velho reino temporal. Mas, como vocês sabem, a primeira coisa que é assumida por Jesus é essa intenção de Deus de ter um Reino. Mateus prefere chamá-lo de "Reino dos céus". Não usaremos o nosso tempo para discutir se há ou não qualquer diferença. O fato é que se trata de um Reino. É o Reino de Deus. E é um Reino Celestial.  

Então vocês observam que o velho Israel foi construído sobre os doze filhos de Jacó. Doze é o número da representatividade. Aqueles doze filhos de Jacó representavam toda a nação. Jesus escolheu doze discípulos. Eles foram uma companhia representante do novo Israel. Moisés tinha setenta anciãos que com ele subiram o monte.  Jesus escolheu setenta apóstolos e os enviou de dois em dois.  

O velho Israel tinha um tabernáculo. João diz: "O Verbo se fez carne e se tabernaculou entre nós". Jesus é o tabernáculo da nova Jerusalém. É nEle que encontramos a Deus. E nEle todo o significado espiritual do velho tabernáculo se cumpre. O velho Israel tinha um sumo sacerdote. O Novo Testamento nos ensina que Jesus é o Sumo Sacerdote do novo Israel. Israel tinha o grande sacrifício, o holocausto. Jesus tornou-se O GRANDE SACRIFÍCIO. Israel tinha o grande altar. A Cruz do Senhor Jesus é O GRANDE ALTAR do novo Israel. E assim poderíamos continuar. Mas, penso, já falamos o suficiente, a fim de indicar que Jesus veio para formar um novo e celestial Israel.

Agora, quando Deus começou a formação do velho Israel, Ele começou com Abraão. Estevão nos conta que o Deus da glória apareceu a Abraão quando ele estava em Ur dos Caldeus. Vocês percebem o título dado a Deus? "O Deus da glória apareceu". Este foi o início do velho Israel terreno. O início do novo Israel espiritual se dá nos mesmos termos. Abram o evangelho de João no primeiro capítulo; após aquela maravilhosa descrição do Filho de Deus, João diz: "Nós vimos a Sua glória, como a glória do Unigênito do Pai". É aí que começou o novo Israel. O Deus de glória apareceu. Jesus disse: "vosso pai Abraão se regozijou ao ver o Meu dia, e ele o viu". Nós não sabemos exatamente quando isto se deu, mas, de alguma maneira, Abraão viu o dia de Jesus Cristo e se alegrou. Isto é sempre uma marca de glória. Onde há glória, sempre há regozijo. "O Deus de glória apareceu ao nosso pai Abraão" (Atos 7:2). É como se o apóstolo João estivesse cantando uma canção quando ele abriu o seu evangelho. "Nós vimos a Sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade". Eu fico surpreso que não haja nem um sorriso em cada face aqui neste lugar. "Cheio de graça e de verdade". Certamente isto é glória. Isto é algo para nos fazer regozijar. A graça de Deus apareceu a mim. Vamos prosseguir.

Vocês poderiam dar uma olhada por um instante nos primeiros versículos do evangelho de João? "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele; e, sem Ele, nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz brilhou nas trevas; e as trevas não prevaleceram sobre ela". E dos versos onze ao treze: "Ele veio para os Seus, mas os Seus não o receberam". O VERBO ERA DEUS. Os Seus não O receberam. "Mas a todos quantos O receberam, deu-lhes o direito de serem chamados filhos de Deus, aos que creem em Seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus". Assim é introduzido o novo Israel. Ele é formado daqueles que receberam a Jesus, os quais receberam o direito de serem chamados de filhos de Deus. Isto é algo melhor do que era em relação ao velho Israel. Aqui é introduzida a grande ideia que jamais fora ou tem sido revelada pelo Céu, é a ideia de que Deus deseja ter filhos. Primeiramente vocês veem o Filho, e, depois, os filhos, e os filhos com o Filho formam o novo Israel.

Agora gostaria que vocês fossem para outra do Novo Testamento. É o livro do Novo Testamento que corporifica toda esta verdade do novo Israel celestial. Se eu fosse perguntar a vocês: "Que livro é este?" Imagino o que vocês responderiam. Que livro no Novo Testamento reúne em si mesmo tudo a respeito do novo Israel celestial? É a Carta aos Hebreus. É interessante que tenha este nome, porque ela é totalmente voltada para o novo Israel. Vocês poderiam abrir as suas bíblias na Carta aos Hebreus? Vimos que João introduziu o novo Israel com uma apresentação do Filho de Deus. Agora esta grande carta aos Hebreus também começa com uma apresentação do Filho de Deus. Ela possui oito coisas maravilhosas sobre Ele; vamos ver.

Começamos com Deus. Deus é sempre o início. Bem, o que dizer sobre Deus? "Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais de diversas maneiras pelos profetas, nestes últimos dias tem nos falado através de Seu Filho". O que isto significa? Estou tentando ser bem simples, em consideração aos mais jovens. Isto significa simplesmente o seguinte: que Deus resumiu em uma única Pessoa todas as Suas maneiras antigas de falar. Em outras palavras, Ele costumava falar de diferentes maneiras. Agora, no final desses dias, Ele resumiu tudo em Seu Filho. Esta é a primeira coisa a respeito do Filho. Ele é a palavra final e plena de Deus. Após isto, Deus não irá falar novamente. Nesses últimos dias, Ele tem falado, e isto é final. Rejeite o Senhor Jesus, e Deus não terá mais nada que falar a você. Mas em Seu Filho, Deus tem tudo a dizer. Ele resume toda a Sua fala em Seu Filho. Cristo é final, e Cristo é pleno, em relação à mente de Deus.

Eu não sei se vocês têm essa maneira de falar em chinês, ou em outra língua que vocês representam, mas, na Inglaterra, nós, algumas vezes, falamos sobre uma pessoa, dizendo: ela está falando a sua mente. Isto é, está deixando você saber o que ela pensa. Desta maneira, em Seu Filho, Deus falou a Sua mente. E, tendo falado Sua mente em Seu Filho, Ele disse: ´Isto é tudo o que tenho a dizer para vocês’. Então, esta é a primeira coisa. Deus tem falado em Seu Filho.

A segunda coisa: "a quem constituiu como herdeiro de todas as coisas". Como dissemos ontem, em algum momento Deus disse: ‘Nomeei a Meu Filho como herdeiro de todas as coisas’. E, quando Deus faz uma nomeação, ninguém pode invalidá-la. Assim, Ele reuniu todo o Seu universo criado e o colocou em Seu Filho, como sendo a herança de Seu Filho, "a quem constituiu como herdeiro de todas as coisas".

A terceira coisa: "Por quem fez também o mundo". O Filho foi empregado pelo Pai para criar o mundo. É exatamente isso que João fala no início: "por quem fez todas as coisas". O Filho foi o instrumento do Pai na criação. "Todas as coisas foram criadas por Ele". Naturalmente, normalmente falamos do Pai como sendo o Criador, mas nos esquecemos de que Deus assim o fez por meio de Seu Filho.  

Agora a quarta coisa: "O qual, sendo o resplendor de Sua glória, e a imagem exata do Seu ser". Isto simplesmente significa que o Filho é a expressão exata do Pai. Jesus disse: "Aquele que vê a Mim, vê o Pai". Ele é a expressão exata de Deus.

A quinta coisa: "Sustentando todas as coisas pela Palavra do Seu poder". Esta é uma coisa tremenda para se falar de alguém. Não há uma ÚNICA PESSOA neste universo criado que esteja sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder. O mundo não pode se dissolver até que Jesus Cristo diga que a hora é chegada. Pode haver tantas bombas atômicas quanto o homem consiga fabricar. Tudo irá permanecer unido até que Jesus diga o contrário. Ele sustenta todas as coisas pela Palavra do Seu poder.

A próxima coisa, número seis: "Havendo feito por Si mesmo a purificação dos nossos pecados". Fora da glória, na criação, e, então, redimindo a criação por meio de Seu sangue, fazendo a purificação dos pecados. Isto poderia nos deter por muitas horas, mas precisamos avançar.

A próxima coisa, número sete: "Assentou-se à destra da Majestade nas alturas". Ele tomou Seu lugar à destra de Deus, e aí Ele permanece até o dia de hoje, à mão direita da Majestade nas alturas. A mão direita é o lugar de honra. A mão direita é o lugar de poder. E este é o lugar onde o Filho está. Ele está assentado à destra da Majestade nas Alturas.

Agora, número oito: "feito tanto mais excelente do que os anjos". Ele é superior a todos os anjos. Naturalmente, gostaria de discorrer um pouco sobre os anjos. Mas vocês podem fazer isso em suas bíblias, a fim de ver quão poderosos eles são. Quantas coisas tremendas os anjos podem fazer. Certa vez um poderoso exército marchou contra Israel, sitiou a cidade, e se gloriou, achando-se muito grande. Jamais alguém conseguiu detê-los. Muito bem, poderosos assírios. Está escrito que Deus enviou um anjo, apenas um. E, quando os homens se levantaram pela manhã, todo o exército estava morto. E o capitão do exército voltou para casa sem o seu exército. Apenas um anjo. Anjos são seres poderosos. E eles formam uma poderosa hoste. Jesus disse: "Se Eu rogar ao Meu Pai, Ele Me enviará doze legiões de anjos". (Mat. 26:53).

Agora, aqui está dito, que Jesus é superior a todos os anjos. Por que eu disse tudo isso? Não apenas para um estudo bíblico. Naturalmente, é algo muito interessante. Mas nós temos um objetivo. Estamos falando a respeito deste novo Israel celestial. E este novo Israel celestial, o qual o Senhor está agora edificando, se baseia nesta grandeza do Senhor Jesus. Enquanto não entendermos algo sobre a grandeza do Senhor Jesus, não poderemos entender para que fomos chamados como membros deste Israel celestial. Que maravilhoso Israel deve ser este, se ele é edificado sobre Alguém como Jesus! Se tudo isto que temos falado sobre Jesus, o Filho de Deus é o fundamento de Israel, quão grande este Israel deve ser!

Agora, Cristo tem este lugar por um ato do próprio Deus. Anteriormente, citamos Mateus vinte e um, e versículo quarenta e três: "O Reino dos Céus será tirado de vós, e será dado a outra nação que produza os seus frutos". Se vocês olharem para o versículo vinte e um de Mateus, verão que ele segue algo muito impressionante. Ele segue esta citação do Velho Testamento: "A PEDRA QUE OS EDIFICADORES REJEITARAM tornou-se a principal de esquina: da parte do Senhor se fez isto; maravilhoso é aos nossos olhos". Israel rejeitou esta pedra, e Israel, por sua vez, também foi rejeitado. Mas esta Pedra eleita por Deus como a principal de esquina. E, portanto, Principal Pedra de esquina Ele será. Ele é a Principal Pedra de esquina do novo Israel.

O meu tempo está praticamente esgotado, e ainda não consegui chegar a lugar algum. Gostaria de ir mais adiante ao longo desta linha de correspondência entre o novo e o velho, nesses princípios espirituais. Irei tentar obter algo mais sobre este importante assunto nos próximos dez minutos.

Nós estamos dizendo que o novo Israel espiritual segue em princípio a linha do velho Israel. Vimos que o início do velho foi a aparição do Deus de glória. Assim é com o novo. Mas o que foi que Deus disse a Abraão? "Farei de ti uma grande nação". "Em tua semente serão benditas todas as nações da terra". Qual foi a primeira semente de Abraão? Foi Isaque. Isaque foi um milagre em sua concepção. Ele jamais poderia ter nascido, a não ser por um milagre de Deus. Mas este é o nosso ponto: Isaque precisa morrer e ressuscitar. Por quê? Por que Isaque precisou ir à morte? Acho que todos aqui conhecem a história de Isaque. Quando Deus disse para Abraão: "Toma o teu filho, o teu único filho, a quem tu amas, e oferece-o como sacrifício". Isaque tinha que ir à morte. E, em tipo, Isaque tinha que se levantar da morte. Por quê? Vocês sabem, os princípios de Deus são eternos. Os meios que Ele usa podem mudar de tempo para tempo, mas os Seus princípios são sempre os mesmos. E esta ida à morte de Isaque, e o seu levantar da morte, foi para manter tudo no campo sobrenatural. Seu nascimento foi sobrenatural, e a obra de sua vida também tinha que ser sobrenatural; a coisa tem que ficar sempre no terreno de Deus.

Sei que há alguns doutores aqui esta noite. Vocês podem fazer muito pelas pessoas enquanto elas estão vivas. E nós agradecemos ao Senhor por tudo o que vocês podem fazer por nós enquanto estamos vivos. Costumamos dizer: ‘enquanto há vida, há esperança’. E nós nunca desistimos até o último suspiro. Mas, quando o último suspiro se vai do nosso corpo, os médicos são obrigados a desistir. Vocês podem trazer todos os médicos de todas as partes do mundo para este recinto, todos os mais brilhantes médicos que existem, os quais podem ter nomes e reputações maravilhosos, mas, quando olham para um corpo, são obrigados a dizer: ‘Não podemos fazer mais nada’. Todo o nosso aprendizado e todo o nosso conhecimento, e todas as nossas habilidades, são inúteis. Ele está morto. Ninguém pode fazer mais nada’. Agora, se alguém se levantar da morte, vocês sabem, isto é algo além do natural. É sobrenatural. Somente Deus pode fazer isto. Não há outro ser neste universo que possa fazer isto. Se alguém se levantar da morte, esta é uma obra somente de Deus. É por isso que Isaque tinha que ser posto para morrer e ressuscitar. Porque o Israel que estava vindo de Isaque tinha que ser algo somente de Deus. Não há nada do homem nisto. Toda educação do homem, e toda sua habilidade, é removida. "Aos quais não nasceram do sangue, nem da carne, nem do homem, mas de Deus". Cada membro deste novo Israel tem que estar neste terreno.

Caros amigos, a realidade mais profunda de um filho de Deus é a coisa mais maravilhosa neste universo. A coisa mais profunda é esta, que há algo na vida dos filhos de Deus que somente Ele poderia fazer. Nenhum homem, ou um grupo deles, pode gerar um filho de Deus. Não há nada neste universo que possa gerar um filho de Deus. Somente Deus pode fazer isto. De modo que este novo Israel espiritual é algo que em seu início está no campo sobrenatural.  Somos um povo maravilhoso. Não nos parecemos maravilhosos. Naturalmente, não estou querendo insultá-los, pois eu também me incluo. Nós não nos parecemos maravilhosos. Neste mundo nós não representamos nada. Mas Deus tem neste mundo a coisa mais maravilhosa que Ele já criou. Ele possui um povo que é fruto de Sua própria obra Divina. Este é o início do novo Israel.

Vocês sabem, voltando a Abraão e Isaque como o início da coisa. Deus trouxe isto para o novo Israel. Este é o início. Oh, que o Senhor nos dê entendimento espiritual para entender isto. Eu pensei que pudesse ser capaz de dizer alguma coisa sobre quão verdadeiro isto é a respeito da vida cristã após o seu início. Mas, se o Senhor permitir, eu tenho outra tarde amanhã, e podemos continuar nisto.

Oh, mas certamente já falamos o suficiente para deixar claro que isto que Cristo está fazendo é algo maravilhoso. O nosso nome é Israel. Isto significa um príncipe com Deus. Que o Senhor nos ajude à altura do nosso nome, a reconhecer a grande dignidade que foi colocada sobre nós, e a compreender a coisa maravilhosa que Ele fez em nós. O Senhor abençoe a todos vocês.

 

FIM

 

 

*A tradução deste estudo foi feita voluntariamente por Valdinei N. da Silva,  que, por reconhecer  a  excelência do conteúdo, coloca o mesmo ao alcance da Igreja de Cristo, para sua edificação. Peço aos  irmãos  que possuírem conhecimentos mais aprofundados em tradução, que colaborem, enviando as suas preciosas observações e retificações para: ojvaldinei@uol.com.br 

 

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